Quarta-feira, 03 de junho de 2026

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Variedades Por que os efeitos do botox duram cada vez menos? O mistério que preocupa a medicina estética

Compartilhe esta notícia:

Essa substância é uma proteína produzida na natureza por bactérias da espécie Clostridium botulinum. (Foto: Adobe Stock)

É uma questão recorrente nas consultas de medicina estética, e uma visita aos fóruns da disciplina na internet mostra que médicos e pacientes já a questionam há anos: é verdade que são cada vez mais efêmeros os efeitos do botox, marca comercial que, há duas décadas, acabou se tornando o nome genérico e popular da toxina botulínica?

A resposta a esta pergunta vai muito além das dúvidas que se possa ter diante do espelho. Primeiro, pelas repercussões econômicas. A toxina botulínica é o tratamento mais utilizado na medicina estética: no ano passado, foram vendidos na Espanha 332 mil frascos deste medicamento para fins estéticos por 79,3 milhões de euros, segundo dados da consultoria especializada Iqvia.

E segundo, porque o debate se tornou científico, com dezenas de artigos publicados em revistas médicas e muitas horas de perguntas em conferências do setor.

— É verdade que os efeitos da toxina às vezes duram menos do que o esperado. Mas as causas, em geral, não devem ser buscadas tanto na substância em si, mas nas características do paciente ou na administração inadequada — afirma Fernando García Monforte, médico especialista na disciplina e coautor de um estudo publicado recentemente na revista científica Aesthetic Medicine com o título “Toxina botulínica. Por que dura menos? Uma revisão da nossa experiência”.

Essa substância é uma proteína produzida na natureza por bactérias da espécie Clostridium botulinum. Devido ao seu poderoso efeito neurotóxico, representa um risco no setor alimentar, onde pode causar intoxicações graves sob a forma de botulismo quando esses microrganismos contaminam alimentos como conservas.

— Causa paralisia muscular ao inibir a liberação de acetilcolina, que é o transmissor usado pelos neurônios para se comunicarem entre si. Na prática, isso faz com que as terminações nervosas deixem de dar ordens aos músculos — explica Francisco Zaragoza, professor de Farmacologia da Universidade de Alcalá de Henares (Madrid).

O mesmo efeito que a torna perigosa – alguém intoxicado se afogará quando os músculos respiratórios pararem de funcionar – confere à toxina um enorme potencial na área médica se aplicada localmente em pequenas doses.

Na medicina estética é muito utilizado para “eliminar ou reduzir rugas faciais como as da testa, entre as sobrancelhas e ao redor dos olhos”, explica Juan Antonio López Pitalúa, presidente da SEME . Em outras áreas da medicina, a toxina é utilizada em diversas doenças musculares, como distonia, espasticidade…, e em alguns casos de enxaqueca, entre outras.

O artigo de García Monforte levanta o problema desde o primeiro parágrafo: “As reclamações sobre a menor duração do efeito da toxina nos pacientes são motivo de preocupação entre os médicos”, pois “é comum ouvir que, ao realizar um novo tratamento com a mesma marca da toxina como da vez anterior, desta vez a duração do efeito foi mais curta.”

Em respostas ao EL PAÍS, o autor revela inúmeras explicações que lançam alguma luz sobre este aparente mistério.

— Alguns deles têm a ver com a forma como a toxina é administrada, que é uma proteína que pode se degradar se não for manuseada corretamente, o que reduzirá sua eficácia e, portanto, a duração de seus efeitos. Costumo dizer que a toxina dura menos em algumas mãos — afirma.

Agitar, por exemplo, deve ser evitado em todos os casos. Também é preciso seguir detalhadamente as instruções do fabricante na hora de reconstituir a toxina, que é comercializada em frascos com pó que deve ser diluído em soro fisiológico e depois mantido em temperatura baixa.

— Se for usado com muita frequência, o corpo desenvolverá anticorpos que também encurtam os efeitos — acrescenta García Monforte.

Para evitar isso, as injeções devem ser espaçadas para fins estéticos, mas lembre-se também que a toxina também é utilizada no sistema de saúde para diversas doenças neurológicas, musculares ou dolorosas.

— Muitas vezes a pessoa não relata que o medicamento que toma no hospital é igual ou muito parecido com o que usamos. É por isso que todas as informações, inclusive a marca, devem ser sempre solicitadas. Nem todas as toxinas são iguais e podemos obter melhores resultados se levarmos tudo isso em consideração — explica o médico.

Finalmente, profissionais experientes sabem que existem outros fatores que podem desempenhar um papel.

— Os efeitos da toxina duram menos no verão, por exemplo. É por causa do calor e do sol que aquecem a pele e contribuem para a degradação da toxina. Pessoas que passam por momentos de estresse também tendem a ter efeitos menos duradouros. Em geral, tudo o que envolve mais atividade, tensão ou movimento pode encurtá-los — continua García Monforte.

Com tantas questões em cima da mesa, é “normal que haja alguma disparidade nos resultados obtidos” conclui o autor do estudo, que sustenta que “embora se diga que a toxina dura até seis meses, na realidade temos pensar que dura três e, a partir daí, considerá-lo como um presente que pode ser obtido com um uso preciso.” Com informações do portal O Globo.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Variedades

Deixe seu comentário

Verificação de Email - você receberá um email de confirmação após enviar o seu primeiro comentário, mas ele só será publicado depois que você clicar no link de verificação enviado para a sua conta de e-mail para confirma-lo. Os próximos comentários serão publicados automaticamente por 30 dias!

0 Comentários
mais recentes
mais antigos Mais votado
Feedbacks embutidos
Ver todos os comentários
Violência: proteção à mulher tem novas leis, ações online e cadastro de agressores
Com novo modelo, Google está destronando a OpenAI como rei da IA voltada aos consumidores
Pode te interessar
0
Adoraria saber sua opinião, comente.x