Quarta-feira, 18 de março de 2026
Por Renato Zimmermann | 16 de março de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Há semanas em que uma cidade parece respirar um novo ar, e Porto Alegre viverá exatamente isso nos próximos dias. A capital gaúcha será tomada por debates, encontros e reflexões sobre sustentabilidade, colocando energia limpa e gestão de resíduos no centro da pauta. De 18 a 20 de março, os pavilhões da FIERGS recebem a BioTECH Fair 2026, enquanto nos dias 20 e 21 a Câmara Municipal abre espaço para o FIMA 2026, o Fórum Internacional do Meio Ambiente. Dois eventos distintos, mas que se complementam ao mostrar que o futuro verde já está sendo construído aqui.
A BioTECH Fair chega à sua segunda edição em Porto Alegre com a ambição de se tornar anual e integrar o calendário dos grandes eventos brasileiros. A feira é gratuita e aberta ao público, permitindo que qualquer visitante conheça de perto projetos, empresas e tecnologias que estão moldando o mercado da bioenergia. Paralelamente, seis eventos simultâneos — como o Congresso Internacional de Bioenergia, o Biodiesel Day, o Biogás Day e seminários sobre biomassa, etanol, biometano e hidrogênio — exigem inscrição e credenciais especiais. São espaços de debate qualificado, reunindo 120 palestrantes e especialistas que discutem tendências, desafios e oportunidades de um setor que cresce em ritmo acelerado.
Terei a honra de mediar o painel sobre biodiesel, ao lado de Rodrigo Huguenin e Valdir José Zonin, dois nomes de peso na área. O biodiesel, assim como o biogás e outros biocombustíveis, é parte fundamental da transição energética. Ele representa não apenas uma alternativa mais limpa aos combustíveis fósseis, mas também uma oportunidade de desenvolvimento econômico, geração de empregos e inovação tecnológica. O mercado de bioenergia, que abrange todas essas fontes renováveis, é hoje um dos pilares da chamada nova economia verde, capaz de conciliar prosperidade e responsabilidade ambiental.
Enquanto a BioTECH Fair aposta na inovação e na prospecção de negócios, o FIMA 2026 traz uma dimensão mais reflexiva e política. Com o tema “Saneamento e Resíduos: Saúde e Meio Ambiente”, o fórum organizado pela ARI discute reciclagem, logística reversa e políticas públicas para enfrentar um dos maiores desafios urbanos: o destino dos resíduos que produzimos diariamente. O evento, realizado no Auditório Ana Terra da Câmara Municipal, reúne especialistas, gestores e sociedade civil em torno de um debate que é tão técnico quanto cultural: como transformar lixo em recurso e responsabilidade em prática cotidiana.
Um dos momentos mais emocionantes do FIMA será a homenagem aos 100 anos de José Lutzenberger, ícone da ecologia e pioneiro na defesa ambiental no Brasil. O painel contará com a escritora e biógrafa Lilian Dreyer e a bióloga Lara Lutzenberger, que revisitarão o pensamento e as ações de Lutz, trazendo sua filosofia para os tempos atuais. É uma oportunidade de refletir sobre como suas ideias, formuladas décadas atrás, continuam a iluminar o caminho para uma sociedade mais consciente e equilibrada.
Esses dois eventos, cada um a seu modo, mostram que sustentabilidade não é apenas uma pauta técnica ou empresarial, mas uma questão de cultura e de futuro coletivo. Ao reunir especialistas, empresários, acadêmicos e cidadãos, eles criam pontes entre conhecimento e prática, entre inovação e consciência. Mais do que discutir tecnologias ou políticas, a BioTECH Fair e o FIMA nos lembram que cada produto que consumimos, cada resíduo que descartamos e cada energia que utilizamos têm impacto direto no planeta. É preciso assumir que prosperidade e sustentabilidade devem caminhar juntas.
Porto Alegre, ao sediar esses encontros, reafirma seu papel como protagonista na transição para uma economia verde. Que desses debates surjam novos negócios, novas políticas e, sobretudo, uma nova consciência: a de que nosso futuro depende da forma como produzimos, consumimos e descartamos hoje. Afinal, não há inovação possível sem responsabilidade, e não há desenvolvimento verdadeiro sem respeito ao meio ambiente.
* Renato Zimmermann é desenvolvedor de negócios sustentáveis e ativista da transição energética (renal.zimm@gmail.com)
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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Porto Alegre não consegue se prevenir nem contra os alagamentos! O Guarujá ficou 2 meses debaixo d’água, moradores perderam tudo que levaram uma vida inteira par construir. E a prefeitura de Melo NADA fez para evitar que isso volte a se repetir. Porto Alegre é a vanguarda do atraso!
Esqueça: o colunista pelo jeito nem lê os comentários e se acha o dono da verdade…