Quinta-feira, 11 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 17 de junho de 2020
A prefeitura de Porto Alegre confirmou nesta quarta-feira (17) o primeiro caso de coronavírus na Capital tendo como infectado um indígena. Trata-se de um integrante da etnia caingangues que teve a confirmação da doença no início da semana. Ele foi atendido no final da semana passado, quando se submeteu a coleta para exame do tipo PCR.
Na aldeia vivem 147 caingangues. No entanto, de acordo com a área técnica da Saúde dos Povos Indígenas da SMS (Secretaria Municipal de Saúde), o índio teria sido infectado fora da cidade, durante viagem a um município da Serra Gaúcha.
Porto Alegre integra o DSEI (Distrito Sanitário Especial Indígena) Interior Sul da Sesai (Secretaria Especial de Saúde Indígena), órgão do Ministério da Saúde responsável pela coordenação da Política de Atenção à Saúde dos Povos Indígenas em todo território nacional. no qual são confirmados 130 casos, dos quais 80 no Rio Grande do Sul.
Para evitar a disseminação do vírus no local, a prefeitura, de forma compartilhada com entidades do segmento, realizará testes entre os moradores do local. No País, são 3.079 casos confirmados de Covid-19 entre povos indígenas, de acordo com dados do Ministério.
A responsável pela área técnica da SMS, Rosa Rosado, destaca que os indígenas compõem público vulnerável a doenças infecto respiratórias, que são a principal causa de mortalidade entre essas pessoas. “O paciente confirmado em Porto Alegre também é portador de diabetes, pertencendo a dois grupos de risco. Ele está hospitalizado na Capital, necessitando cuidados de alta complexidade”, enfatiza.
Segundo ela, evidências confirmam que a introdução de vírus respiratórios nessas comunidades apresenta elevado potencial de espalhamento devido ao modo de vida coletivo (as moradias onde residem conjuntos extensos de parentes, por exemplo), resultando em altas taxas de ataque e de internações, podendo ocasionar óbitos, como foi o caso da gripe H1N1 entre integrantes da etnia Guarani.
Esforço
Desde a confirmação dos primeiros casos da doença na cidade, a área técnica da secretaria municipal intensificou a circulação de informações referentes à pandemia junto às comunidades indígenas, principalmente a permanência nas aldeias.
Esse processo tem como mediadores os Agentes Comunitários de Saúde Indígena para comunicação da língua originária, a fim de evitar a transmissão no interior das aldeias. Com esse primeiro caso confirmado, as orientações foram intensificadas incluindo o isolamento dos contatos do paciente infectado, a fim de evitar novos casos na aldeia.
O Plano de Contingência seguido pela SMS foi inicialmente o Plano de Contingência Distrital para Infecção Humana por Coronavírus em Povos Indígenas, elaborado pelo DSEI. O mesmo foi sendo adaptado à realidade local, após início da transmissão comunitária sustentada. Todos os casos de Síndrome Gripal, com critérios clínicos, estavam sendo testados para a doença.
“Realizamos o monitoramento dos resultados de diagnóstico laboratorial de seis casos suspeitos entre índios. Descartados após a testagem, não existiam casos confirmados em indígenas em Porto Alegre até então”, explica a responsável pela área técnica.
(Marcello Campos)
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