Quarta-feira, 27 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 3 de janeiro de 2020
Olivais, vinhas, fruticultura e gado passaram a ser mais constantes nos campos de Portugal nos anos recentes. E isso foi possível graças à construção do Alqueva, o maior lago artificial da União Europeia. Água para a irrigação fez os portugueses deixarem de lado as tradicionais culturas de grãos, mais sujeitas às condições climáticas, e adotar outras mais rentáveis. No início dos anos 1990, Portugal tinha 950 mil hectares com o cultivo de cereais de inverno. Neste ano, são 121 mil. As informações são do jornal Folha de S.Paulo.
Foi o que fez a família de Sofia Noronha Lopes na centenária fazenda Comenda Grande, localizada no Alentejo. Eles deixaram os cereais para trás há uma década e fizeram da fazenda uma área tão diversificada que vai da criação de galinhas e da produção de vinho ao enoturismo.
“Os preços dos cereais caíram, a produção tornou-se antieconômica e tivemos de fazer a reconversão”, diz Sofia.
A mudança trouxe investidores estrangeiros, e o preço da terra em Portugal triplicou nas últimas duas décadas. Os investidores chegaram do Brasil, dos Estados Unidos, da China e de países da própria Europa.
O resultado foi que a produção aumentou, e os portugueses buscam agora ampliar seus negócios no mercado externo. O Brasil é visto como uma região de grande potencial para eles.
Os portugueses, que já têm os brasileiros como o principal mercado para o seu azeite, querem agora desbancar os chilenos e se tornar também os maiores exportadores de vinho para o Brasil.
Em 2018, os chilenos exportaram 51 milhões de litros de vinho e de espumantes para o Brasil. Os portugueses, em segundo lugar, 18 milhões.
Nem todos acreditam nessa possibilidade, mas Vitor Nunes, gerente de exportação da Cartuxa, da Fundação Eugênio de Almeida, prevê essa liderança em até dez anos.
A empresa, que produz 7 milhões de garrafas por safra e deverá atingir 8 milhões em 2022, coloca 35% de seu produto exportado no Brasil.
Atualmente a competição dos produtores europeus com os chilenos é muito difícil, devido à carga tributária. Mas o acordo União Europeia com o Mercosul vai abrir mais as portas para Portugal, afirma ele.
“No futuro a definição do vinho vai ser pela qualidade, e não pelo preço. O valor médio vai aumentar.”
Alexandre Relvas, enólogo da Casa Relvas, acredita no potencial do mercado brasileiro, mas acha difícil uma liderança de Portugal. O acordo comercial entre os dois blocos e a unificação de impostos, porém, dariam maior competitividade ao vinho português.
“O brasileiro gosta de um vinho fácil, e aí está a vantagem do Alentejo. Temos um vinho frutado e sem taninos fortes.”
Segundo Relvas, o Brasil é um dos países onde melhor se trata o vinho. Esse cuidado vai do transporte e armazenagem à temperatura.
Além disso, a presença de profissionais com conhecimento em vinho nos restaurantes ajuda a aumentar o consumo.
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