Terça-feira, 26 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 2 de fevereiro de 2016
“Uma lembrancinha de dançarinos de tango do tamanho do polegar está 50 reais.” Assim a brasileira Paloma Rocha, 23 anos, resume a situação dos preços na Argentina. A desvalorização do real e a inflação dos últimos anos no país vizinho – na cidade de Buenos Aires, ela atingiu 26,9% em 2015, segundo a Prefeitura – tornaram o destino caro para os brasileiros.
Os preços dos alimentos estão em média 30% mais altos na Argentina do que no Brasil. Hotéis e restaurantes custam até 20% mais, segundo a consultoria Abeceb.
A escalada dos preços começou em 2007, quando a inflação passou a ultrapassar a barreira dos 10%. Três anos depois, a valorização artificial do peso fez com que o país ficasse caro para aqueles que chegam com dólares.
Para os brasileiros, o cenário piorou em 2015, com a desvalorização do real. “No Brasil, o dólar ficou muito tempo entre 2 reais e 3 reais. Esse câmbio tornava a Argentina mais acessível. Agora o panorama é outro”, afirma o economista-chefe da consultoria Ecolatina, Lorenzo Sigaut Gravina.
O consultor de projetos Sady Fauth Junior, 37, esteve na Argentina pela primeira vez em 2012 e voltou em agosto de 2015 para morar. Segundo o brasileiro, um almoço que custaria cerca de 25 reais no Brasil sai o equivalente a 40 reais em Buenos Aires. “Não está compensando viver aqui se você depender do real. Os preços aumentam toda semana”, diz.
A inflação se acelerou ainda mais nos últimos dois meses em decorrência da desvalorização de aproximadamente 40% do peso promovida pelo governo do presidente Maurício Macri.
Apenas em dezembro, os preços na capital aumentaram em média 3,9% – a taxa mais elevada para um mês em quase dois anos. As carnes subiram 14,2% e os medicamentos, 18,8%.
Paloma, que esteve na cidade por 30 dias entre dezembro e janeiro com o noivo, ajustou a programação ao orçamento. As refeições tiveram de ser feitas mais no apartamento alugado que na rua.
“Conseguimos fazer tudo o que queríamos, mas foi bem regrado e não deu para comprar nem um presentinho.”
As consultorias projetam inflação de 30% para 2016 (o governo prevê até 25%) e mais desvalorização, com 1 dólar valendo 15,5 pesos (hoje está em 13,95 pesos). A única vantagem que o brasileiro leva atualmente é poder usar o cartão de crédito.
Até meados de dezembro, havia mais de uma cotação para o peso na Argentina. A oficial, em que um dólar valia 9,9 pesos, e a paralela, na qual chegava a 14,55 pesos.
Com isso, o turista que comprava no cartão acabava pagando o oficial, mais caro. Agora, o câmbio independe do meio de pagamento. (Luciana Dyniewicz/Folhapress)
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