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Economia Preço mundial do petróleo despenca com retomada da oferta e reacende temor de excesso global

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Reabertura de Ormuz e a retomada das exportações pressionam os preços. (Foto: GAI)

Os preços do petróleo estão caindo em toda parte à medida que um acordo de paz entre os EUA e o Irã libera uma onda de oferta, supera a demanda dos compradores e reacende as discussões sobre um excesso global de petróleo bruto.

A virada é impressionante: há menos de três meses, o principal benchmark físico de petróleo do mundo atingiu um recorde histórico, e, poucas semanas atrás, executivos seniores da indústria alertavam que os estoques globais estavam em níveis criticamente baixos.

Hoje, o futuro do conflito ainda é incerto e boa parte da produção do Oriente Médio continua paralisada. De fato, os estoques globais foram fortemente reduzidos durante a guerra. Ainda assim, os contratos futuros do Brent já apagaram todos os ganhos acumulados no período do conflito — com queda de 43% em relação à máxima do fim de abril — enquanto o mercado físico de petróleo dá sinais de fraqueza mais intensos do que em qualquer momento desde o colapso da demanda na pandemia de Covid.

Para a economia global, a mudança brusca de escassez para abundância significa que os temores de um choque inflacionário puxado pelo petróleo, decorrente da maior interrupção de oferta já registrada, praticamente desapareceram. Para os grandes produtores da Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep), isso significa que as perguntas sobre a velocidade de retomada da produção podem em breve ser substituídas por dúvidas sobre a disposição do grupo em conter a oferta para sustentar os preços — ou, no limite, entrar numa disputa por participação de mercado.

Além do impacto imediato da reabertura, analistas de Morgan Stanley a Goldman Sachs alertaram nesta semana que o mercado corre risco de excesso de oferta rumo ao próximo ano.

“No momento, o sentimento dominante é baixista”, disse Kitt Haines, chefe da área de petróleo da consultoria Energy Aspects.

Mesmo antes de EUA e Irã assinarem, em meados de junho, um memorando de entendimento para reabrir o Estreito de Ormuz, os fornecedores do Golfo Pérsico já vinham ampliando embarques. Mas, desde então, houve uma enxurrada de mais de 60 milhões de barris represados, que haviam ficado parados quando a guerra começou.

Tanto a Arábia Saudita quanto os Emirados Árabes Unidos já estão em níveis de exportação próximos — ou equivalentes — aos registrados antes da guerra com o Irã, ajudados pela proteção militar dos EUA ao trafegar pelo Estreito de Ormuz, além dos oleodutos usados para contornar a hidrovia. O petróleo iraniano, que por anos esteve sujeito a duras sanções americanas, voltou a poder ser comprado após os EUA concederem isenções às sanções.

Soluções emergenciais

A recuperação de Ormuz acontece ao mesmo tempo em que muitas das soluções emergenciais adotadas pelo mercado durante a guerra continuam em vigor. A China, que ajudou a estabilizar o mercado global ao reduzir drasticamente suas compras, segue em grande medida à margem. E, toda semana, milhões de barris continuam saindo de cavernas subterrâneas de armazenamento de emergência na Costa do Golfo dos EUA, parte de uma liberação recorde de 400 milhões de barris desenhada para aliviar uma crise do petróleo que já não existe.

“O mercado enfrenta o risco de um excesso temporário de oferta, à medida que o petróleo represado finalmente volta a entrar em um sistema que já passou meses aprendendo a funcionar sem ele”, escreveu Natasha Kaneva, chefe de pesquisa de commodities do JPMorgan Chase & Co. “Os barris que agora saem de Ormuz cada vez mais não têm para onde ir além da China. Mas a China não está comprando.”

É um excedente visível tanto nas telas de negociação em Wall Street quanto nos superpetroleiros cruzando os oceanos.

Nos últimos dias, os principais contratos futuros dos EUA, Europa e Ásia passaram a operar em contango. Essa estrutura incentiva traders a armazenar barris em tanques quando a oferta supera a demanda.

O petróleo dos Emirados Árabes Unidos está viajando até os EUA e vem sendo oferecido inclusive para compradores no Havaí. Um navio carregado com petróleo venezuelano navegou mais de 10 mil milhas até a costa da Índia e agora está parado há mais de duas semanas, sem comprador.

Uma das principais razões para essas rotas incomuns é que a China, que cortou importações em cerca de 5 milhões de barris por dia em relação aos níveis pré-guerra, ainda não elevou as compras de forma relevante. (Com informações do InfoMoney)

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