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Geral Prefeituras da Coreia do Sul bancam festas para estimular o casamento de jovens e turbinar a natalidade

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Prefeitura de Seongnam promove evento de encontro às cegas para 50 homens e mulheres. (Foto: Prefeitura de Seongnam)

O salão de baile do hotel estava cheio de balões cor-de-rosa, a trilha sonora era de canções românticas e 100 solteiros e solteiras estavam reunidos em uma noitada regada a vinho para se conhecer e, quem sabe, encontrar o amor verdadeiro.

Antes de Mia Kim perceber, cinco horas tinham se passado entre 50 homens e 50 mulheres no evento organizado em Seongnam, perto de Seul. O bar do ficava aberto até 1 hora, mas Kim, de 37 anos, funcionária de uma empresa de software, afirmou que a noite “parecia curta demais”.

Cada vez mais cidades na Coreia do Sul estão patrocinando encontros às cegas, como esse, desesperadas para estimular jovens a se casar e formar família, revertendo o colapso da taxa de natalidade do país – uma das menores do mundo.

As prefeituras afirmam que o problema é que os jovens simplesmente não querem se casar ou ter bebês na Coreia do Sul, um país onde 2% dos nascimentos ocorrem fora de casamentos. “A atitude negativa em relação ao casamento continua a predominar na sociedade sul-coreana”, disse o prefeito de Seongnam, Shin Sangjin, cidade vizinha de Seul, que sediou o evento de encontros de casais. “É função do governo criar as condições para as pessoas que querem se casar encontrarem parceiros.”

Muitos jovens sul-coreanos, contudo, afirmam que os obstáculos verdadeiros para aumentar a taxa de natalidade são os custos estarrecedores da criação dos filhos, os preços dos imóveis e as longas jornadas de trabalho.

Para eles, os encontros às cegas fazem pouco para resolver esses problemas. As mulheres, em particular, afirmam que se sentem desencorajadas em razão da discriminação generalizada contra mães que trabalham. Outras pessoas reclamam que, ao tentar agir como agência casamenteira, o governo se intromete demais na vida dos cidadãos.

Mas os encontros às cegas têm se provado populares. Seongnam recebeu mais de mil inscrições para um evento com apenas cem lugares este mês. E os participantes rasgaram elogios à festa.

Ainda que a proporção de pessoas que se casam tenha declinado em todo o mundo, na Coreia do Sul, em especial, este índice despencou. Nos EUA, houve 6 casamentos para cada mil habitantes em 2021. Na Coreia do Sul, foram 3,8 a cada mil habitantes.

Menos nascimentos acompanharam essa estatística. Em 2022, a taxa de fertilidade da Coreia do Sul – que indica o número médio de crianças nascidas em relação a mulheres em idade reprodutiva – declinou pelo sétimo ano seguido, para 0,78, fazendo as autoridades buscarem maneiras de evitar uma crise populacional. Especialistas em políticas afirmam que o esforço tem sido insuficiente, e os planos do governo não funcionaram.

Mesmo enquanto a fatia de sul-coreanos interessados em ter filhos encolhe, as autoridades esperam que o interesse em encontros de casais organizados pelo governo continue. Seongnam, cidade de aproximadamente 1 milhão de habitantes, alocou US$ 192 mil de seu orçamento para eventos desse tipo e planeja organizar vários outros ainda este ano.

Cidades de outros países com taxas de natalidade baixas, como China e Japão, também têm colocado em prática programas do tipo. Na Coreia do Sul, muitas cidades pequenas têm patrocinado eventos similares há anos, com foco em pessoas com idades entre 27 e 39 anos, que vivem ou trabalham em suas comunidades.

O resultado tem sido ambíguo. Jinju, no sudeste da Coreia do Sul, produziu 11 casais ao longo de 12 anos organizando encontros às cegas. Na cidade industrial de Gumi, no centro do país, 13 casais que se conheceram por meio desses eventos se casaram desde 2016. Em ambas as cidades, as autoridades afirmaram não saber quantos filhos esses casais tiveram.

A cidade costeira de Sacheon tem organizado encontros de solteiros há três anos. Apesar de os eventos não terem produzido nenhum casamento, as autoridades afirmaram que não houve tempo suficiente ainda para o matrimônio.

Os eventos casamenteiros organizados pelas municipalidades chegaram a Seul. Autoridades da capital afirmaram que também estão considerando organizar um encontro às cegas. Inicialmente, elas apoiaram a proposta, mas revisaram sua posição em razão de críticas disseminadas nas redes sociais.

Pesquisadores que estudam o declínio populacional sul-coreano afirmam que reduzir jornadas laborais, cultivar ambientes favoráveis à amizade em locais de trabalho e fomentar igualdade de gênero nas famílias seria mais eficaz do que tentar bancar o Tinder para solucionar as causas da fertilidade baixa, segundo Jung Jae Hoon, professor de serviço social da Universidade Feminina de Seul. As informações são do jornal The New York Times.

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