Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 10 de outubro de 2020
Alguns norte-americanos preocupados com possível violência após a eleição presidencial dos Estados Unidos estão formando grupos de vigilância da comunidade, outros estão trabalhando na redução de conflitos e há ainda aqueles que estão comprando armas, de acordo com duas dezenas de eleitores, grupos online e dados levantados.
Um medo comum é de que a disputa de 3 de novembro entre o presidente Donald Trump, um republicano, e o desafiante democrata Joe Biden permaneça por muito tempo sem um vencedor claro, levando a protestos que podem se transformar em distúrbios civis ou até mesmo em conflito sectário.
Uma ilustração dessas preocupações ocorreu em Michigan, com o anúncio de que 13 pessoas foram presas em supostas tramas para sequestrar a governadora do Estado e atacar o edifício do capitólio estadual. Para norte-americanos como o consultor financeiro David Powell, a maior preocupação é que eles possam ser forçados a tomar partido para proteger os direitos civis, a propriedade privada e até mesmo vidas.
“Não faço parte de nenhum grupo, não quero fazer parte de um grupo, sou um cara normal que está assistindo ao noticiário e ficando muito preocupado”, disse Powell, de 64 anos, de Raleigh, na Carolina do Norte. Ele afirmou se preocupar com “bandidos antifa”, um termo que os conservadores norte-americanos usam para descrever ativistas antifascistas de esquerda. Ele disse que está preparado para “ficar de guarda” em sua comunidade, se necessário.
Algumas pessoas estão planejando férias no exterior perto do dia da eleição ou indo para retiros rurais. Outros compraram armas para defesa. As vendas de armas de fogo atingiram um recorde mensal de 3,9 milhões em junho, de acordo com dados do FBI. Munições para rifles AR-15 estão em espera em Estados como Washington e Colorado.
“Comprei uma AK-47”, disse um advogado de Denver que se identificou como Ewing e pediu que seu nome completo não fosse divulgado. “A munição é barata.” Algumas comunidades e grupos estão tentando diminuir as tensões, muitas vezes sabendo que várias pessoas têm armas de fogo e estão preparadas para usá-las.
Rússia
Faltando menos de 30 dias para as eleições dos Estados Unidos , os eleitores estão decidindo em quem irão votar. Um dos pontos que mais influencia esta decisão diz respeito à postura que Donald Trump ou Joe Biden irão adotar na política internacional e como irão conduzir as relações com algumas nações.
Uma das relações mais importantes e delicadas mantida pelos EUA é com o governo da Rússia. Segundo Leandro Consentino, cientista político e professor do Insper, a análise da postura política dos candidatos com o governo russo deve ser feita de forma minuciosa.
Ele avalia que, olhando para as relações internacionais de ambos os países, a Rússia pode preferir a eleição de Biden , classificado por Leandro como “menos beligerante e menos agressivo”. Entretanto, ele também pontua que, em 2016, a estratégia da Rússia foi ajudar a eleger Trump , visando um enfraquecimento dos EUA enquanto liderança global.
“O Donald Trump, paradoxalmente a tudo que ele diz e coloca, acaba enfraquecendo a posição dos Estados Unidos como liderança no cenário internacional”, diz Leandro, que complementa:
“E a Rússia sabe disso. Sabe que essa retórica agressiva e nacionalista do Trump retira os EUA de posições de liderança. Portanto, ela acaba, de alguma forma, preferindo que esse cenário (que tem Trump como presidente) se verifique para que ela possa se posicionar de alguma forma para sobrepor ou rivalizar com os EUA no que diz respeito a essa agenda de hegemonia no plano internacional”.
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