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Brasil Presidenciáveis dizem que o governo de Michel Temer tem sido negligente com a crise da imigração venezuelana em Roraima

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Incidente gerou onda de violência em Pacaraima. (Foto: Agência Brasil)

Desde o domingo, após a onda de violência na cidade de Pacaraima, em Roraima, candidatos à Presidência da República apontam negligência e omissão do governo de Michel Temer ao lidar com a crise da imigração de venezuelanos pela fronteira no Norte do Estado.

Para a candidata pela Rede, Marina Silva, o governo brasileiro vem negligenciando a situação desde a época da ex-presidente Dilma Rousseff, quando errou, por “alinhamentos políticos e ideológicos”, ao não impedir que, na opinião dela, a situação chegasse à falta de democracia no país vizinho.

“Negligencia agora, quando deixa o problema dos refugiados nas mãos do Estado de Roraima, que não tem condição de dar respostas praticamente sozinho para uma situação como essa”, afirmou, defendendo a formação de uma coalizão humanitária entre países para atuar no problema dos refugiados venezuelanos.

Na mesma linha, Geraldo Alckmin (PSDB) classificou a situação de Roraima como “grave”, responsabilizou o atual governo e também o anterior: “Só chegamos a esse ponto por omissão do governo federal, que precisa apoiar o Estado. Temos que garantir a segurança da população e acolher quem foge do caos econômico provocado na Venezuela por um governo apoiado pelo PT”.

Ciro Gomes, do PDT, afirmou que o atual governo não toma atitudes para resolver o problema e lembrou que há milhões de brasileiros dispersos pelo mundo, razão pela qual é necessário um tratamento “humanitário respeitoso” a imigrantes: “Esse governo não está fazendo absolutamente nada, é criminoso, irresponsável e o grande culpado por tudo isso”.

“Qual o papel do Brasil nisso? Temos que chegar antes e ajudar esses refugiados, protegê-los”, prosseguiu. “Não podemos deixar que eles entrem selvagemente e destruam o tecido comunitário de cidades como Pacaraima.”

Ele ressaltou, porém, que a resposta não passa pela violência e por queimar “roupas de quem já está miserável e sendo humilhado porque não consegue sobreviver no seu país, mulheres, crianças”. Ciro aproveitou para declarar que o candidato pelo PSL, Jair Bolsonaro, tem responsabilidade na disseminação da “cultura de ódio” no debate político.

Bolsonaro, por sua vez, afirmou em seu perfil do Twitter que “há mais de um ano, muitos vídeos vem sendo publicados no youtube e mostram nossa postura sobre o assunto e as derivações da irresponsabilidade dos governos brasileiro e venezuelano”.

Acirramento

No fim de semana, houve uma onda de violência em Pacaraima, deflagrada depois que o dono de um estabelecimento local foi esfaqueado e espancado supostamente por quatro venezuelanos. Manifestantes brasileiros destruíram tendas usadas pelos venezuelanos para acampar na rua perto de um terminal de ônibus e incendiaram os pertences que os imigrantes deixavam para trás.

Em resposta aos incidentes, o governo federal decidiu no domingo enviar um reforço de 120 homens da Força Nacional de Segurança a Roraima e determinou a intensificação dos esforços de interiorização de venezuelanos para outros Estados.

Dezenas de milhares de venezuelanos atravessaram a fronteira com o Brasil em Pacaraima nos últimos anos, fugindo da turbulência econômica e política em seu país. O fluxo sobrecarregou os serviços sociais do Estado e causou uma crise humanitária, com famílias dormindo nas ruas em meio à crescente criminalidade e prostituição.

Nessa segunda-feira, o governo de Roraima ingressou com ação no STF (Supremo Tribunal Federal), solicitando a suspensão temporária da imigração de venezuelanos por meio da fronteira em Pacaraima, informou o governo estadual em nota.

A medida reforça uma ação já impetrada por Roraima junto ao Supremo pedindo o fechamento da fronteira para a entrada de imigrantes venezuelanos, e visa “evitar eventual perigo de conflitos, com derramamento de sangue entre brasileiros e venezuelanos”, de acordo com o governo local.

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