Segunda-feira, 20 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 19 de julho de 2026
O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, negou pedido da defesa de Jair Bolsonaro (PL) para que o ex-presidente recebesse visita do presidente da Argentina, Javier Milei. O líder pretende vir ao Brasil para evento do PL no próximo sábado (25).
A decisão vem na esteira de negativas anteriores do ministro, que na véspera, manteve a proibição de visitas do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ao pai por 90 dias e ampliou restrições, vetando contatos políticos até as eleições de outubro e a divulgação de novos manifestos.
“Salvo as visitas permanentes médicas, fisioterapêuticas e dos advogados, as demais visitas estão suspensão pelo prazo de 30 (trinta) dias”, afirmou.
A prisão domiciliar do ex-presidente está mantida. Na decisão de sexta (17), Moraes suspendeu o direito de visita de familiares por 30 dias. Na casa onde está em Brasília, Bolsonaro mora com a mulher, Michelle, uma filha e uma enteada, que não estão sujeitas a essas restrições.
Segundo o ministro, apenas advogados, médicos e fisioterapeutas podem ir à casa do ex-presidente. Anteriormente, ele tinha autorização para receber outros filhos além de Flávio, como Carlos e Jair Renan.
A decisão foi tomada após Flávio Bolsonaro ler uma carta escrita pelo pai que continha conteúdo político e eleitoral. A defesa de Bolsonaro alegou que o cliente desconhecia que a carta seria divulgaria publicamente nas redes sociais, argumento integralmente rejeitado por Moraes.
Convenção do PL
Milei estará no Brasil para a convenção nacional do PL e vai apoiar o lançamento da candidatura de Flávio ao Planalto. Ambos são do mesmo espectro político e fazem oposição ao campo político representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). A viagem do argentino está sendo planejada desde a semana passada.
A defesa havia solicitado a liberação de visita para o dia 25 de julho, data em que Flávio deve lançar sua candidatura. Milei anunciou os planos de vir ao Brasil nessa data, após se encontrar com o senador no final de junho.
Em entrevista à Radio Now, o líder argentino afirmou que gostaria de retribuir o gesto de Flávio com um encontro no Brasil. “Também farei uma parada em Brasília para cumprimentar Jair Bolsonaro”, declarou.
Na sexta (17), Flávio reagiu à decisão de Moraes e disse em vídeo nas redes sociais que a medida é “ilegal, desproporcional, covarde e cruel”. O presidenciável disse que “Bolsonaro foi enterrado vivo” e que Moraes tenta interferir na eleição de 2026.
A medida de Moraes foi tomada pouco depois da manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) de que a leitura da carta do ex-presidente pelo filho e pré-candidato à Presidência, no último sábado (11), violou regras da domiciliar. Paulo Gonet não se pronunciou, no entanto, diretamente sobre o veto ao contato do senador com o pai.
“Os benefícios de sua prisão domiciliar humanitária não podem acarretar odiosos privilégios contrários à legislação e autorizar flagrante desobediência às decisões judiciais, inclusive por seus advogados”, disse Moraes.
Flávio Bolsonaro está inscrito no processo como advogado do pai e, portanto, tinha acesso livre a ele. (Com informações da Folha de S. Paulo, CNN Brasil e O Globo)
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