Terça-feira, 02 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 2 de novembro de 2015
Alvo da Operação Lava-Jato e sob o risco de ser investigado pelo Conselho de Ética, o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), apressou nas últimas semanas a votação de projetos apontados como conservadores. Com essa estratégia, Cunha pretende fortalecer a relação com os grupos que o elegeram para a Presidência da Casa e são favoráveis a mudanças na legislação sobre aborto, armas, maioridade penal, terras indígenas e família. Ao mesmo tempo, o peemedebista espera frear movimentos favoráveis ao seu afastamento do comando da Câmara.
“A partir dessas pautas, Eduardo Cunha ganha sustentação e vai privilegiando os aliados internos, que se calam em relação aos pedidos de seu afastamento”, salientou o deputado federal Glauber Braga (PSOL-RJ).
Conhecido como bancada BBB (boi, bíblia e bala), o grupo aliado a Cunha reúne deputados do agronegócio, de igrejas evangélicas e ligados à segurança pública. O Diap (Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar) estima que 206 dos 513 deputados federais, ou seja, 40% da Câmara, defendem abertamente uma dessas bandeiras.
Para o deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), o avanço da pauta capitaneada por Cunha tem como mola propulsora os próprios aliados do presidente da Câmara. “Esses grupos estão pensando assim: vamos votar tudo isso logo porque pode ser que, no ano que vem, o Cunha não esteja mais aqui. E o presidente da Câmara tem força para agilizar essas pautas e estimular essas votações”, disse Alencar. “Por isso, há uma sofreguidão ultraconservadora para aprovar esses projetos enquanto Cunha está no controle de cargos, verbas e das pautas das comissões e do plenário da Câmara.”
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