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Agro Presidente da Farsul vê o futuro “com muita fé”. Ele acredita no potencial do RS na condução do agronegócio e na capacidade de produzir alimentos para toda a humanidade

A entrevista com o presidente da Farsul, Gedeão Pereira, foi conduzida pela jornalista Lizemara Prates

Foto: Tiago Francisco / Divulgação Sistema Farsul
A entrevista com o presidente da Farsul, Gedeão Pereira, foi conduzida pela jornalista Lizemara Prates. (Foto: Tiago Francisco/Divulgação Sistema Farsul)

O presidente da Farsul, Gedeão Pereira, apresentou na manhã desta terça-feira o balanço da entidade relativo ao ano de 2019 e as perspectivas para 2020, índices também detalhados pelo economista-chefe da Farsul, Antonio da Luz. Gedeão apontou que vê o futuro “com muita fé”, mais do que nos anos anteriores, em função das reformas que estão sendo impostas ao País, somado ao potencial do Rio Grande do Sul na condução do agronegócio e na capacidade de produzir alimentos para cerca de 1 bilhão e 600 mil pessoas espalhadas por todo o planeta. Gedeão Pereira também se diz otimista em relação ao cenário nacional, que mudou em especial em relação ao empreendedorismo, com números impressionantes de retorno do Black Friday e com a bolsa de valores na casa dos 110 mil pontos, com previsão de continuar em alta, demonstrando incremento no setor de investimentos. “São atividades empreendedoras onde nos situamos, com o agro impulsionando negócios no Brasil e no exterior”.

Na visão do presidente da Farsul, o embate entre China e Estados Unidos possibilita ao Brasil ocupar espaços no contexto mundial, além de grandes perspectivas no mercado asiático. Gedeão adiantou que nos próximos dias entrará em operação um escritório da CNA (Comissão Nacional de Política Agrícola da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil) em Xangai e outro em 2020 em Singapura. “Nunca existiu tanto alimento no mundo e tanta demanda”. Ele lembra que até bem pouco tempo o País era importador e hoje exportador, puxado também pela valorização das commodities, como soja, milho e arroz. “Cerca de 60 a 70% do arroz consumido no Brasil é produzido no Rio Grande do Sul”.

Numa avaliação do quadro econômico, o presidente da Farsul enfatizou questões como a carga tributária e apontou o apoio da entidade para a provação do pacote econômico do governador Eduardo Leite, que está tramitando na Assembleia Legislativa. “Para que tenhamos um horizonte favorável, temos que avançar para fazer as reformas que o RS precisa”. A defesa do sistema sindical foi outro item destacado pelo dirigente, ao ressaltar que os problemas do produtor rural se resolvem em Brasília, com políticas agrícolas sendo decididas a nível federal “e essa é a nossa representação”.

Gedeão Pereira deu ênfase à importância do SENAR (Serviço Nacional de Aprendizagem Rural) que constitui um dos braços da Farsul e a ampliação de suas atividades. Além da profissionalização do homem do campo, a partir do próximo dia 3 de janeiro a entidade passará a oferecer assistência técnica e gerencial gratuita aos produtores e já com mais de três mil propriedades inscritas no programa que se estenderá a todo o Rio Grande do Sul, “sem desabilitar os cursos porque esta é a missão do SENAR”, como reiterou.

O crédito agrícola igualmente ganhou pauta no encontro, apontado por Gedeão como um sistema “defasado”. Segundo ele, “acabou porque o agro continua crescendo e este modelo não consegue mais satisfazer produtores rurais pois há carência de crédito”. Hoje os produtores pagam juros elevados numa situação irreal uma vez que houve queda na inflação e redução na taxa Selic. “Esperamos grandes mudanças para 2020 neste segmento e uma possibilidade é a apólice de seguro que garanta o cumprimento da verba ao produtor. Estabelecido isto, acreditamos que vamos ter uma grande participação de crédito privado e não apenas dos bancos oficiais”, com CPR (crédito controlado pelos bancos privados) em moeda estrangeira, possibilitando o credenciamento de produtores no exterior.

Gedeão igualmente mantém otimismo frente a safra de grãos de 2020 que deverá atingir novos recordes, ficando na casa dos 35 milhões de toneladas, superando a safra de 2017, além do aumento de 1,9% da área plantada, influenciada pela nova fronteira agrícola do RS que é a metade Sul do Estado, concentrando a maior lavoura de soja, com mais de 1,5 milhão de hectares em 2019 e com uma produção que superou em 4,7% os números do ano anterior.

Participaram do encontro o vice-presidente Elmar Konrad e os diretores Francisco Schardong, José Alcindo, Eduardo Condorelli, Fabiana Flores, Claudio Rocha e Antonio da Luz.

(Por Clarice Ledur)

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