Terça-feira, 25 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 16 de maio de 2016
A PF (Polícia Federal) indiciou o diretor-presidente do Grupo Gerdau, André Gerdau, e mais 18 pessoas por crimes como corrupção ativa, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e tráfico de influência em um inquérito da Operação Zelotes, que teve como principal foco o grupo empresarial, gigante do setor siderúrgico com atuação em 14 países.
Em fevereiro, a PF deflagrou a 6ª fase da Zelotes, que investiga fraudes em julgamentos no Carf (Conselho Administrativo de Recursos Fiscais), órgão ligado ao Ministério da Fazenda. O órgão funciona como uma espécie de tribunal administrativo ao qual as empresas recorrem de multas da Receita Federal.
A ação da Zelotes em fevereiro cumpriu 18 mandados de busca e apreensão e 20 de condução coercitiva (quando a pessoa presta depoimento na delegacia e depois é liberada). Um dos conduzidos coercitivamente foi André Gerdau. Ele foi indiciado especificamente pelos crimes de corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro .
Além de Gerdau, a PF também indiciou o ex-conselheiro do Carf José Ricardo da Silva e o advogado e integrante do Conselho de Administração da Gerdau, Expedito Luz. Os outros 16 são diretores da empresa, advogados e conselheiros e ex-conselheiros do Carf.
Os nomes dos indiciados não foram oficialmente divulgados. Procurada, a assessoria da PF explicou que não revelaria os alvos de indiciamento seguindo uma norma interna de proteger as investigações. A Polícia Federal informou, porém, que foram indiciados conselheiros e ex-conselheiros do Carf, além de advogados e membros da diretoria da Gerdau.
A Gerdau informou pela manhã que não havia recebido informações oficiais sobre o assunto e que se pronunciaria somente após ser notificada pela PF. Anteriormente, a empresa já havia dito que colaborava com as investigações e que não concedeu autorização para que seu nome fosse usado em pretensas negociações ilegais.
Investigações
A suspeita é que o grupo Gerdau tenha tentado evitar, por meio do Carf, o pagamento de multas que somam R$ 1,5 bilhão. O objetivo do grupo, segundo a Polícia Federal, foi obter, de maneira ilegal, o cancelamento da cobrança de tributos em seus processos.
De acordo com as investigações, a empresa celebrou contratos com escritórios de advocacia e de consultoria que, por meio de sócios, agiram de maneira ilícita, manipulando o andamento, a distribuição e as decisões do Carf.
À época da deflagração da 6º fase da Zelotes, foi cumprido um mandado de condução coercitiva para André Gerdau, diretor-presidente e presidente do comitê executivo da Gerdau.
Histórico
A Zelotes foi deflagrada em março de 2015. Inicialmente, o alvo da operação era o esquema de fraudes nos julgamentos do Carf. Segundo as apurações, conselheiros suspeitos de integrar o esquema criminoso passavam informações privilegiadas de dentro do Carf para escritórios de assessoria, consultoria ou advocacia.
Esses escritórios, de acordo com os investigadores, procuravam empresas multadas pela Receita Federal e prometiam controlar o resultado dos julgamentos de recursos. O esquema teria movimentado R$ 19 bilhões.
A PF diz que ficou “comprovado” que conselheiros e funcionários do órgão “defendiam interesses privados, em detrimento da União”, “valendo-se de informações privilegiadas”. Segundo a PF, mesmo depois do início da operação, as investigações encontraram indícios de que os crimes continuaram a ser cometidos.
Num segundo momento, a Zelotes passou a apurar também um suposto esquema de venda de medidas provisórias. A PF descobriu que uma das empresas que atuava no órgão recebeu R$ 57 milhões de uma montadora de veículos entre 2009 e 2015 para aprovar emenda à MP 471 de 2009, que rendeu a essa montadora benefícios fiscais de R$ 879,5 milhões. Junto ao Carf, a montadora deixou de pagar R$ 266 milhões.
Em 4 de dezembro, 16 pessoas suspeitas se tornaram réus na Zelotes depois que a Justiça Federal aceitou denúncia do Ministério Público Federal no Distrito Federal. (AG)
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