Segunda-feira, 28 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 8 de setembro de 2021
O presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), declarou nesta quarta-feira (8) que há uma “crise real” no País, e que a solução para problemas como a fome e a miséria “não está no autoritarismo, não está nos arroubos antidemocráticos, não está em questionar a democracia”.
Foi a primeira declaração pública de Pacheco após o discurso do presidente Jair Bolsonaro com ameaças e falas antidemocráticas, durante manifestações do 7 de Setembro em Brasília e em São Paulo, na terça-feira (7).
“[Há] Uma crise real de fome e de miséria que bate à porta dos brasileiros, sacrificando a dignidade das pessoas. De inflação, com a perda do poder de compra dos brasileiros, as coisas estão mais caras. A crise do desemprego, a crise energética, a crise hídrica. Uma pandemia que entristeceu muito o País”, enumerou Pacheco.
“Então, uma crise real que nós vivemos e que nós temos que dar solução a ela. Essa solução não está no autoritarismo. Não está nos arroubos antidemocráticos, não está em questionar a democracia. Essa solução está na maturidade política dos poderes constituídos de se entenderem, de buscarem as convergências para aquilo que verdadeiramente interessa aos brasileiros”, prosseguiu.
O presidente do Senado, no entanto, não falou diretamente sobre as pautas dos atos e nem sobre as falas de Bolsonaro – que incluíram, por exemplo, a ameaça de desrespeitar decisões do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes e acusações, sem provas, sobre o sistema eleitoral.
No pronunciamento gravado, Pacheco voltou a cobrar diálogo e harmonia entre Executivo, Legislativo e Judiciário.
“Que os poderes sentem à mesa, que os poderes se organizem, se respeitem, cada qual cumpra o seu papel respeitando o papel do outro, e busquem uma harmonia que vai significar na solução dos problemas das pessoas”, afirmou.
Rodrigo Pacheco também declarou que os problemas dos brasileiros não serão resolvidos com excessos, radicalismo e extremismo. “É com diálogo e respeito à Constituição que nós vamos conseguir resolver os problemas dos brasileiros”, frisou o presidente do Senado.
Sessões canceladas
O Senado chegou a cancelar as sessões deliberativas e as reuniões de comissões que estavam previstas para esta quarta e quinta-feira (9). O motivo não foi informado.
“A Presidência comunica às Senadoras e aos Senadores que estão canceladas as sessões deliberativas remotas e as reuniões de comissões previstas para os dias 8 e 9 de setembro”, informou Pacheco em mensagem aos parlamentares.
A decisão foi criticada por senadores – que, sem as sessões plenárias, ficaram impedidos de usar a palavra para comentar os atos do 7 de Setembro. Líder da maioria, Renan Calheiros (MDB-AL) classificou a decisão como um “erro”.
Em uma rede social, Renan elogiou o discurso do presidente do Supremo Tribunal Federal, ministro Luiz Fux, em resposta a Bolsonaro.
“Quem tem faltado na defesa da democracia é o Congresso, sobrecarregando o Judiciário. Fechar o Senado após o golpismo foi um erro”, afirmou o emedebista.
Ainda na terça, enquanto as manifestações do 7 de Setembro aconteciam nas maiores cidades do País, Pacheco publicou uma mensagem sobre a data em uma rede social. No texto, voltou a defender a “absoluta defesa do Estado Democrático de Direito”.
“Ao tempo em que se celebra o Dia da Independência, expressão forte da liberdade nacional, não deixemos de compreender a nossa mais evidente dependência de algo que deve unir o Brasil: a absoluta defesa do Estado Democrático de Direito”, publicou.
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