Quinta-feira, 09 de julho de 2026
Por Redação O Sul | 8 de julho de 2026
O presidente eleito da Colômbia, o direitista Abelardo de la Espriella, afirmou na terça-feira (7) que o atual presidente, Gustavo Petro, quer dar um “golpe de Estado” e convocou as Forças Armadas para protegerem a democracia e a desobedecerem a quaisquer ordens nesse sentido.
Petro questionou repetidas vezes a legitimidade da eleição de De la Espriella e convocou manifestações para 20 de julho, data em que anunciou que fará seu discurso de despedida do mandato.
“Petro e Cepeda iniciaram seu Plano B para permanecer no poder a todo custo. E querem fazer isso por meio de um golpe de Estado… como presidente eleito, peço às Forças Armadas da República da Colômbia que cumpram seu juramento, protejam a Constituição e a democracia e não obedeçam a quaisquer ordens que Petro possa dar em contrário”, declarou em mensagem de vídeo divulgada em suas redes sociais.
Já Gustavo Petro afirmou que o vencedor da eleição presidencial, o direitista Abelardo de la Espriella, entregou a soberania nacional para se eleger. A afirmação foi feita após Petro ser acusado pelo presidente eleito de querer dar um golpe de Estado.
Em uma publicação nas redes sociais, o atual presidente da Colômbia disse que jamais deu ordens às Forças Armadas para agir contra a Constituição. “Você, senhor Abelardo, é quem já despedaçou a Constituição. Primeiro, porque foi eleito com ajuda estrangeira, o que é proibido pela Constituição. E pior ainda: Abelardo entregou a soberania nacional para ser presidente”, escreveu Petro.
“Nunca ordenei que matassem a população civil, como ocorreu com os 6.402 jovens assassinados. Tampouco ordenei que a Esmad (unidade da polícia) matasse 67 jovens apenas porque estavam protestando”, disparou Petro.
Na mesma publicação, ele afirmou também que continua como “comandante supremo das Forças Armadas” até o dia 6 de agosto, à meia-noite, e convocou a população para clamar pela independência no dia 20 de julho.
Essa data marcará a saída antecipada de Petro do poder, conforme anunciado por ele no domingo, 5. O esperado, segundo o rito habitual, seria ele sair durante a posse de Abelardo de la Espriella, marcada para 7 de agosto.
Processo de transição
O processo de transição de poder, que será finalizado com a posse de Espriella marcada para 7 de agosto, ocorre em meio a tensões entre o presidente eleito, apoiado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, e Petro, cujo candidato de esquerda, Iván Cepeda, perdeu o segundo turno em uma votação acirrada em junho.
No primeiro turno, disputado em maio, o candidato de ultradireita Abelardo de la Espriella liderou com 43,7% dos votos, seguido pelo governista Iván Cepeda, com 40,90%. Diante dos resultados iniciais daquela etapa, Petro já havia afirmado que não aceitava a pré-contagem e criticou o software da empresa Thomas Greg & Sons (TGS), apontando uma suposta divergência de 800 mil pessoas no censo eleitoral.
Mais cedo na terça (7), Espriella disse que suspendeu transição de poder com o governo Petro por afirmar que o atual presidente se recusa a aceitar o resultado das eleições.
Abelardo de la Espriella ordenou que sua equipe interrompa “de maneira imediata” o processo de transição com o governo de Gustavo Petro. O processo de transferência de poder para a posse de 7 de agosto ocorre em meio a tensões entre o presidente de esquerda, que deixa o cargo, e o sucessor de extrema direita. Petro se recusa a reconhecer o resultado do segundo turno de junho, enquanto De la Espriella acusa o atual governo de corrupção.
De la Espriella, que venceu o segundo turno de junho por margem estreita contra o candidato governista Iván Cepeda, deu “instruções” à sua equipe “para suspender imediatamente o processo de transição com o governo corrupto que encerra seu mandato”, segundo publicou na rede social X.
Em meio à transição, De la Espriella afirma ter encontrado indícios de corrupção e “contratos direcionados” durante o governo Petro.
O senador Cepeda reconheceu o resultado da eleição, mas declarou-se em “desobediência civil” diante do novo governo.
Observadores internacionais e autoridades eleitorais descartaram qualquer tipo de fraude ou manipulação no pleito.
“Meu dever é proteger os interesses da nação e garantir uma transição séria, transparente e a serviço dos colombianos, jamais legitimar o desastre nem o desrespeito à ordem constitucional”, afirmou De la Espriella.
Sem dar mais detalhes, o presidente eleito anunciou que explicará ao longo do dia “as razões desta decisão”.
Advogado sem experiência política anterior, De la Espriella promete estimular o investimento privado, reduzir o tamanho do Estado em 40% e endurecer o combate às guerrilhas e aos cartéis do narcotráfico, em meio à pior crise de violência do país na última década e após as fracassadas tentativas de Petro de negociar a paz com grupos armados.
O presidente eleito já anunciou os nomes de seus futuros ministros do Interior, da Fazenda, do Meio Ambiente e da Defesa. As informações são da agência de notícias AFP.
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