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Política Preso em casa, Bolsonaro vira pivô de brigas em condomínio

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Entrada do Solar de Brasília, onde o ex-presidente mora e está preso. (Foto: ABr)

“Maria Amélia, vem aqui, que a coisa tá ficando feia.” Maria Amélia Campos já sabia do que se tratava quando ouviu os funcionários gritarem da calçada. Ela espiou a rua pela janela, largou o que estava fazendo e foi para o WhatsApp. “Corre pra cá, gente, corre pra cá”, distribuiu a mensagem em vários grupos.

Os reforços de Maria Amélia logo chegaram. Sempre que um detrator de Jair Bolsonaro (PL) protesta contra o ex-presidente em frente ao condomínio Solar de Brasília, os grupos de moradores e apoiadores se atiçam.

Naquele dia, 2 de setembro, começaria o julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que terminaria por condená-lo, e petistas tinham inflado um boneco do ex-presidente com roupa de presidiário, junto a uma faixa: “Bolsonaro na cadeia”.

“Eu pegava o carro e xingava os petistas. Mobilizamos muita gente. Quando tem alguma ação para difamar a imagem do Bolsonaro, a gente não permite. Pô, você quer fazer manifestação? Vai pra Esplanada”, diz Maria Amélia, escolhida vice-presidente do PL Mulher no Distrito Federal pela ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, dada a proximidade com a família.

Dona de uma das confeitarias mais renomadas da capital federal, Maria Amélia tem atenção especial na unidade que fica em frente ao condomínio Solar de Brasília, no bairro Jardim Botânico. É lá que Bolsonaro mora.

No último dia 12, o ex-presidente completou cem dias de prisão domiciliar imposta pelo ministro do STF Alexandre de Moraes, por ter descumprido medidas cautelares.

A prisão domiciliar de Bolsonaro tem gerado transtornos para a vizinhança. Moradores relatam brigas no grupo de WhatsApp do condomínio e o aumento da tensão em episódios como o do julgamento no STF. O mecânico Vinícius Scucato, que costuma autorizar jornalistas a passar pela portaria, sofre um processo de expulsão do condomínio motivado, segundo ele, pelas brigas que tem arranjado com a administração. “Tem muito morador brigando. Tem uns que apoiam (Bolsonaro), e outros não. Já fizeram até reunião para tentar expulsar o Bolsonaro. Mas o administrador disse que não ia entrar nessa briga”, diz Scucato.

O Solar de Brasília se tornou uma Meca do bolsonarismo desde 4 de agosto, data da prisão. É para onde as principais lideranças da direita brasileira vão quando precisam de orientação ou bênção para tomar alguma decisão, uma vez que Bolsonaro não pode pisar na calçada sem autorização judicial – a não ser em caso de emergência médica.

Nos últimos cem dias, Moraes concedeu ao menos 72 autorizações para 61 pessoas visitarem o ex-presidente em casa, segundo levantamento do Estadão, com exceção de médicos, advogados e familiares, que não precisam de aval. O grupo de oração de Michelle, com 16 pessoas, tem conseguido aceite para ir toda quarta-feira à noite à casa.

Houve 34 autorizações para parlamentares (quase metade, 47,2%), seis para dirigentes e pessoas ligadas ao seu partido (8,3%), quatro para governadores e vice-governadora (5,5%) – apenas o de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), o de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), e a vice do Distrito Federal, Celina Leão (PP), foram visitá-lo.

A frequência das visitas, no entanto, vem caindo. Isso porque 57% delas foram feitas nos primeiros 50 dias da prisão domiciliar, excluindo o grupo de oração, cuja visita é semanal. Bolsonaro convive sobretudo com os familiares de Michelle. Eduardo Torres, irmão da ex-primeira-dama, é presença constante na casa.

“A gente fica preocupado, ele tem uma saúde muito delicada. Ele não faz exercício todos os dias, depende da condição de saúde do momento. Mas a gente fica em cima para que ele se exercite. Tem dias em que ele está bem, outros em que está pior. A questão psicológica que abala. O emocional dele abala com as notícias que chegam”, diz o irmão Renato Bolsonaro, sem responder que notícias costumam abalar o ex-presidente.

A menos de um ano das eleições, Bolsonaro tem aproveitado as visitas para articular as chapas ao Senado. A eleição para a Casa é considerada crucial pelo ex-presidente, uma vez que alcançar a maioria das cadeiras pode dar poder ao bolsonarismo de contra-atacar o Supremo com pedidos de impeachment de ministros.

Bolsonaro já disse em público que, se tiver mais de 50% de cadeiras no Legislativo, vai “mandar mais que o presidente da República”, ainda que ele esteja fora do jogo.

Bolsonaro tem traçado cenários em São Paulo sem o filho Eduardo, que se mudou para os Estados Unidos para articular junto ao governo Trump sanções contra o Brasil. Ele também quer o filho Carlos Bolsonaro, vereador pelo Rio, concorrendo por Santa Catarina – o que provocou uma guerra com lideranças locais – e Michelle, hoje tida como presidenciável, como candidata pelo Distrito Federal.

“Em Brasília está muito definido que a Michelle é candidata ao Senado. Isso está muito cristalizado na mente dele (Bolsonaro). Ele entende que (é) para proteger a Michelle, (porque) as pessoas sempre saem do Executivo com problemas judiciais infinitos. É proteção de marido”, afirma Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara.

Alguns aliados avaliam que um cenário anárquico se instalou na direita, uma vez que Bolsonaro, impedido de usar as redes sociais, não pode mais ditar a narrativa política. Um deles, ouvido sob reserva, diz que o ex-presidente está mal assessorado e deveria se comunicar mais com o mundo externo, seja por meio de bilhetes repassados pelos advogados ou por entrevistas não transmitidas. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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