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Mundo Pressionado por protestos, o presidente do Líbano fala na possibilidade de interferência externa na explosão

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Manifestantes protestam próximo ao Parlamento libanês. (Foto: Reprodução)

Horas depois de manifestantes entrarem em confronto com a polícia perto do Parlamento em Beirute, o presidente do Líbano, Michel Aoun, disse nesta sexta-feira (07) ainda não ser possível descartar que as grandes explosões no porto de Beirute tenham sido causadas por “interferência externa via míssil, bomba ou outro ato”. De acordo com o presidente, que rejeitou a possibilidade de uma investigação internacional, outros possíveis motivos são negligência e um acidente

Segundo o Ministério da Saúde, há ao menos 154 mortos, 5 mil feridos e cerca de 250 mil desabrigados na capital libanesa, que ficou devastada. Estimativas atualizadas dos danos materiais apontam para prejuízos na casa dos US$ 15 bilhões (R$ 80,3 bilhões), conforme as buscas por sobreviventes continuam.

“A causa ainda não foi determinada. Existe a possibilidade de interferência externa através de um foguete, bomba ou outro ato”, disse Aoun, que anteriormente culpara a negligência no armazenamento de material altamente explosivo durante anos no porto da cidade.

Respondendo a especulações, o movimento xiita Hezbollah negou envolvimento com as explosões, que caracterizou como um “acontecimento excepcional” e disse que não mantinha armas no porto.

“Eles [opositores] querem dizer ao povo de Beirute que aqueles que destruíram suas casas e mataram seus filhos são do Hezbollah. Eu nego, absoluta e categoricamente, a presença de qualquer míssil ou material nosso no porto”, disse Hassan Nasrallah, líder do movimento. “Mesmo que um avião tenha batido ou que tenha sido um ato intencional, se for confirmado que o nitrato estava no porto há anos, negligência e corrupção são absolutamente partes desse caso.”

Até o momento, não há indícios de que a catástrofe tenha sido causada por ataques terroristas ou agentes externos. Informações preliminares apontam como causa provável a explosão de 2.750 toneladas de nitrato de amônio, material inflamável habitualmente usado na fabricação de fertilizantes e explosivos. Apreendida de um navio abandonado em 2013, a substância estava armazenada no porto de Beirute havia seis anos, sem as condições de segurança adequadas. Mas não se sabe o que teria detonado a explosão.

O governo libanês criou uma comissão investigativa que tem cinco dias para divulgar suas conclusões iniciais sobre o ocorrido, prazo que expira no domingo. Na quarta-feira passada, funcionários da Autoridade Portuária de Beirute foram postos em prisão domiciliar e, na quinta, a Promotoria militar, encarregada da investigação, anunciou que 16 deles foram detidos. As contas dos chefes do porto, da Alfândega e de cinco outras pessoas foram congeladas pelo Banco Central.

Autoridades e organizações internacionais, como o presidente francês, Emmanuel Macron, a Anistia Internacional e a Human Rights Watch, demandam uma investigação internacional independente sobre o ocorrido. Aoun rechaçou esta possibilidade porque ela, a seu ver, “diluiria a verdade”. Em seu Twitter, disse que “um veredicto tardio seria insignificante”, afirmando que a Justiça libanesa irá agir rápido para apurar o ocorrido, pois “justiça atrasada não é justiça”.

Protestos

Parte da população põe o desastre na conta da má administração, da negligência e da corrupção do sistema político libanês, no qual representantes de diferentes partidos de bases religiosas dividem o poder.

“Tomara que um míssil tenha provocado a explosão”, disse ao El País Musa Fares, cujo melhor amigo perdeu um olho e uma orelha. “Daria um pouco menos de repugnância dos nossos líderes do que se fosse outra negligência.”

Aos gritos de “revolução”, manifestantes protestaram na noite de quinta, mobilizando-se ao redor do prédio do Parlamento, que estava cercado pela polícia. Os ativistas destruíram lojas e lançaram pedras contra as forças de segurança, que responderam com gás lacrimogêneo, deixando um número desconhecido de feridos. Atos de grande proporção estão sendo novamente convocados para este sábado (08).

O clamor por mudança ecoa os meses de protestos que o país viu no ano passado, em meio à maior crise econômica desde o fim da guerra civil (1975-1990). Superando as divisões sectárias, as manifestações contra o aumento do custo de vida, o desemprego e a corrupção levaram à renúncia do então premier Saad al-Hariri. Depois de meses, foi formado um Gabinete de tecnocratas liderado por Hassan Diab, com apoio do Hezbollah, que ganhou peso maior do que já tinha no governo de Hariri.

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