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Por Redação O Sul | 23 de fevereiro de 2022
Do ponto de vista político, a rodada inicial de sanções ocidentais contra a Rússia, anunciada na terça-feira e nesta quarta-feira, ofereceu uma demonstração significativa de unidade entre Washington e seus parceiros europeus.
Segundo especialistas nesse tipo de mecanismo de pressão, estas primeiras sanções, no entanto, devem ter um impacto quase insignificante sobre a economia russa. Nos últimos anos, Moscou – que está sob sanções desde 2014, quando anexou a Península da Crimeia da Ucrânia – guardou reservas para proteger seu sistema econômico exatamente contra o tipo de medida adotada pelos Estados Unidos, enquanto seus aliados europeus, à exceção da Alemanha, foram ainda mais comedidos.
De acordo com Thomas Biersteker, especialista em sanções econômicas do Instituto de Pós-Graduação de Genebra, para serem eficazes, penalidades econômicas devem ser introduzidas de modo gradual. Uma sanção precisa demonstrar seriedade, como, por exemplo, disposição para arcar com custos da medida. Por outro lado, deve apontar para impactos ainda maiores no horizonte.
“Temos que pensar nas sanções como interligadas às negociações. Manda-se um sinal forte de que se está muito chateado, mas, para mandar este sinal, é necessário mostrar que se está disposto a pagar o custo”, afirmou Biersteker ao Business Daily, da BBC, nesta quarta-feira. “E, obviamente, não se joga tudo de uma vez. É necessário guardar suas cartas.”
Das medidas iniciais, para ele, a mais importante veio da Alemanha. Na manhã de terça-feira, o chanceler alemão, Olaf Scholz, anunciou ter pedido ao Ministério de Economia e Tecnologia para tomar as medidas administrativas necessárias para paralisar o licenciamento do gasoduto Nord Stream 2.
Concluída em setembro, a obra, de US$ 11 bilhões, permitirá o aumento do fornecimento de gás russo para a Europa, e atualmente aguarda autorização para operar.
No passado, Scholz havia mostrado não estar disposto a abrir mão do gasoduto, enfrentando tensões em sua coalizão, pois Os Verdes, seus aliados no governo, mostraram-se favoráveis a renunciar à obra para punir Putin.
O processo de licenciamento, por ora, foi apenas pausado, e não cancelado. Ao tomar a medida burocrática, todavia, o chanceler sinalizou estar disposto a ir longe para conter uma agressão russa na Ucrânia.
“Eu esperava que essa medida fosse ser guardada para uma segunda rodada de sanções”, afirmou Biersteker. “Mas ainda há muito mais que pode ser posto na mesa.”
A sanção ao Nord Stream 2 também pode ser considerada uma vitória provisória dos EUA, antigos opositores da iniciativa. Quando Scholz visitou a Casa Branca no começo de fevereiro, Joe Biden “prometeu ser capaz de pôr fim ao Nord Stream 2”, sem explicar como convenceria a Alemanha. Nesta quarta-feira, o governo americano anunciou sanções contra a empresa que construiu o gasoduto.
Já do ponto de vista econômico, as sanções não devem provocar grandes impactos imediatos. Elas vieram sobretudo dos EUA, e o presidente americano, Joe Biden, as anunciou com pompa na terça-feira:
“Vou começar a impor sanções em resposta, muito além das medidas que nós e nossos aliados e parceiros implementamos em 2014”, disse Biden.
As sanções incluem um bloqueio total ao banco de desenvolvimento VEB, a quinta maior instituição financeira da Rússia, e ao Promsvyazbank, o banco militar russo. Há ainda penalidades contra três filhos de altos funcionários próximos a Putin e restrições à capacidade da Rússia de aumentar sua receita através da emissão de dívida soberana, isto é, de pegar empréstimos no exterior.
Segundo a consultora em geopolítica Rachel Ziemba, as sanções “tentaram equilibrar uma coordenação entre aliados, a proporcionalidade e a dissuasão”, e “focam a atenção nos interesses governamentais e militares, e não nos indivíduos”. “Essas sanções são menos dolorosas do que as mais fortes que poderiam ter sido impostas, mas tornarão o investimento russo em projetos de crescimento muito mais difícil”, escreveu numa análise. As informações são do jornal O Globo.
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