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Brasil Procuradores em guerra pelo comando da Procuradoria-Geral da República

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Promotora diz que ex-PGR fez 'alegações desarrazoadas' na ação penal. (Foto: Agência Brasil)

As articulações da titular da PGR (Procuradoria-Geral da República), Raquel Dodge, para se manter no cargo sem passar pela tradicional lista tríplice dividem a sua equipe direta de procuradores, ou seja, aqueles que foram escolhidos por ela própria para integrar o gabinete.

Raquel, que assumiu em setembro de 2017 a vaga de Rodrigo Janot, deseja continuar na função por mais dois anos. Com essa intenção, ela passou a se movimentar no tabuleiro político para ser indicada pelo presidente Jair Bolsonaro. Na última sexta-feira, por exemplo, ela admitiu o interesse.

“Estou à disposição, tanto da minha instituição quanto do País, para uma eventual recondução. Não sei se isso vai acontecer”, disse a procuradora-geral. Ela afirmou que a consideração da lista tríplice enviada pela ANPR ao presidente é uma prerrogativa do chefe do Executivo, definida na Constituição. A fala provocou uma divisão dentro de casa.

A equipe que atua na área criminal da PGR, formada por procuradores e procuradores regionais da República, se opõe a uma recondução ao cargo fora da lista, enquanto o vice-procurador-geral, o vice-procurador-eleitoral e outros subprocuradores-gerais defendem a postura da titular e apontam vícios na atual disputa pelo posto de chefe máximo do MPF (Ministério Público Federal).

O time que cuida dos assuntos criminais, incluídos os inquéritos da Operação Lava-Jato em curso no STF (Supremo Tribunal Federal) e no STJ (Superior Tribunal de Justiça), é capitaneado pela procuradora regional Raquel Branquinho e pelo coordenador do grupo da Lava-Jato, o procurador regional José Alfredo de Paula.

Ambos demonstram alinhamento à posição das forças-tarefas da Lava-Jato em Curitiba (PR), no Rio de Janeiro e em São Paulo e das operações Zelotes e Greenfield, em Brasília, que fizeram uma defesa enfática da lista tríplice. Prevalece entre os oito demais procuradores da força-tarefa a posição pró-lista tríplice.

Bolsonaro

Na noite de sábado, o presidente Jair Bolsonaro afirmou que vai esperar a eleição da lista tríplice da ANPR (Associação Nacional dos Procuradores da República) para indicar o próximo chefe do MPF. Questionado se Raquel Dodge é uma opção do seu agrado, ele se limitou a falar que “todos são bons nomes”.

A fala do chefe do Executivo ocorreu quando parou o carro para cumprimentar apoiadores que o esperavam do lado de fora da residência oficial, como tem feito com frequência nas últimas semanas. E o conteúdo vai na contramão das sinalizações de que não pretendia seguir a lista tríplice da ANPR.

A procuradora-geral foi indicada para o cargo em 2017 pelo então presidente Michel Temer. Ela ficou em segundo lugar pelo voto de seus colegas.

A lista

A lista tríplice foi criada em 2001 e é defendida pelos procuradores como um dos principais instrumentos de autonomia da carreira. De acordo com a Constituição, o presidente da República pode escolher qualquer um dos procuradores em atividade para o comando da PGR.

De 2003 a 2015, o nomeado foi o mais votado pelos membros da ANPR. Ao optar por Raquel, Michel Temer  quebrou a tradição iniciada por Luiz Inácio Lula da Silva de respeitar a ordem da lista e indicar o primeiro colocado.

Dez procuradores se apresentaram à sucessão na PGR neste ano. Até 17 de junho, os candidatos seguem em campanha. A eleição ocorrerá em todas as unidades do Ministério Público Federal do País (por meio eletrônico, o prazo vai até o dia seguinte). Podem votar os cerca de 1.150 membros ativos do MPF.

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