Sexta-feira, 22 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 14 de setembro de 2016
Um dia após a cassação de Eduardo Cunha (PMDB-RJ), membros da PGR (Procuradoria-Geral da República) indicaram que devem endurecer as negociações de um eventual acordo de delação premiada do ex-presidente da Câmara dos Deputados. A avaliação de procuradores é de que tratativas com um dos principais alvos da Operação Lava-Jato podem desgastar a imagem da PGR.
Com a cassação, Cunha perde foro privilegiado, e as ações a que responde no STF (Supremo Tribunal Federal) e demais investigações da Lava-Jato devem seguir para a primeira instância. Sob o risco de ser preso por ordem do juiz Sérgio Moro, Cunha discutiu estratégias de defesa com seus advogados nesta terça-feira (13), entre elas a possibilidade de delatar. Publicamente, ele tem negado a possibilidade.
Na análise de integrantes da PGR, um acordo não seria positivo para a instituição neste momento, a não ser que Cunha apresente um grande volume de provas documentais, restitua o dinheiro que, segundo as investigações, desviou da Petrobras – mais de R$ 150 milhões, nas contas dos procuradores – e cumpra alguns anos de prisão em regime fechado.
Outro ponto que pesa contra o peemedebista são os sucessivos embates diretos travados entre ele e o procurador-geral, Rodrigo Janot. Cunha admitiu que “errou” ao “confrontá-lo exageradamente” e, na opinião de aliados, a declaração foi espécie de senha para que iniciasse conversas com a PGR.
Na discussão sobre possível acordo, procuradores destacam, por exemplo, o contexto das conversas com a Odebrecht. Em um primeiro momento, havia resistência pelo fato de a empreiteira ser combativa em sua defesa em relação à Lava-Jato e Moro, mas aceitou negociar depois.
Cunha sabe das dificuldades que vai encontrar na PGR. Ao mesmo tempo, indica que vai lançar mão de “dossiês” sobre figuras importantes do mundo político, inclusive do centro do governo Temer. (Folhapress)
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