Domingo, 31 de agosto de 2025
Por Redação O Sul | 31 de agosto de 2025
A iniciativa é promovida pelo Instituto Justiça
Foto: Comunicação Instituto Justiça/DivulgaçãoOs brasileiros descartam anualmente cerca de quatro milhões de toneladas de resíduos têxteis. Só no ano passado, cada residência do País jogou fora, aproximadamente, 44 quilos de roupas e calçados. Os dados são da consultoria internacional S2F Partners – hub de inteligência especializada em gestão de resíduos e economia circular. E, por conta do crescimento da indústria fast fashion nos últimos anos, o descarte de tecidos escalou, gerando desperdícios e danos à saúde, já que 80% dos resíduos têxteis são incinerados, aterrados, vão para os lixões e meio ambiente.
Essa realidade coloca foco em desafios alarmantes, como, por exemplo, qual a destinação sustentável para resíduos que podem levar até dez anos para se decompor na natureza. O Instituto Justiça (IJ), a partir do desastre ambiental vivido pelos gaúchos em 2024, encontrou uma solução criativa e com propósito: o projeto Recria-se.
Durante as enchentes de maio do ano passado, o IJ reuniu esforços para fortalecer a onda de solidariedade formada no Brasil, com a arrecadação e envio de mais de duas mil toneladas de doações emergenciais a 40 mil das 2,4 milhões de pessoas atingidas no Rio Grande do Sul. Em meio a essa mobilização, surgiram obstáculos. Muitas das roupas doadas não tinham condições de uso e seriam descartadas em aterros sanitários.
“Quando estávamos distribuindo as doações, olhamos aquela montanha de roupas e nos perguntamos o que poderíamos fazer para aquilo não virar ainda mais lixo. Foi exatamente nesse cenário que nasceu o Recria-se”, relembra Indiara Dias de Souza, fundadora e diretora geral do IJ.
Idealizado pelo Instituto e implementado pela Ciclo Reverso – empresa, com sede em Porto Alegre, focada em economia circular e inclusão produtiva – o Recria-se é uma resposta inovadora para transformar resíduos têxteis em produtos sustentáveis que carregam histórias de superação, empoderamento social e proteção do meio ambiente.
Vidas impactadas
Como primeiros resultados do Recria-se, 1,3 tonelada de resíduos têxteis foram reciclados e 64 mulheres, integrantes da Rede de Economia Circular da Ciclo Reverso, foram qualificadas em corte, costura e técnicas de macramê. Além da capacitação, essas mulheres estão sendo remuneradas pelo trabalho no projeto, que rendeu até agora R$ 69,2 mil.
Ou seja, o alcance do Recria-se vai além dos resíduos, ele leva oportunidade de trabalho para onde as participantes vivem e dentro de suas realidades. “É incrível observar o crescimento coletivo da comunidade e, ao mesmo tempo, o desenvolvimento pessoal e realização individual que esse processo viabiliza”, avalia Liliane Linhares, diretora da Ciclo Reverso.
Bianca das Neves, uma das costureiras integrantes da rede, confirma o impacto positivo que o Recria-se proporcionou à sua vida. Para ela, a segurança financeira decorrente do trabalho no projeto foi decisiva. “Antes, eu fazia faxina e nem sempre tinha trabalho”, conta Bianca ao destacar que agora consegue se planejar.
Jandira Lubas é outra mulher envolvida com o projeto. Demitida de um restaurante onde trabalhava como cozinheira, por conta da idade, Jandira quase entrou em processo de depressão, aos 60 anos. Desde que começou a dedicar-se à nova atividade, seu comportamento mudou. “Trabalho o dia inteiro e vejo o resultado, podendo pagar as minhas contas. Isso faz eu me sentir viva de novo”, comemora a costureira.
Regina Moura conta que conta que o Recria-se, além de lhe dar segurança financeira, por ser um trabalho fixo, também proporciona realização como costureira profissional. “Não só por estar fazendo bolsas, mas sim por estar participando de algo incrível para todos. Pegamos material que seria considerado lixo e transformamos em uma obra de arte”, avalia Regina ao acrescentar que espera que o projeto cresça e inclua mais mulheres.
Para potencializar a resposta socioambiental positiva, o IJ criou um catálogo de produtos sustentáveis e convida, agora, a sociedade civil brasileira a engajar-se na causa. “Participar do Recria-se é potencializar o impacto positivo na vida de mulheres em situação de vulnerabilidade social, através de capacitações e geração de renda além da redução de resíduos têxteis no meio ambiente”, avalia Glenda Passuello, gerente do IJ ao elencar que as empresas podem contribuir através da aquisição de itens como sacolas, mochilas, bolsas, estojos personalizados com sua marca e cheios de propósito.
Instituto Justiça
O Instituto Justiça (IJ) nasceu em 2020, na cidade de São Paulo, em meio a um dos maiores desafios da nossa era: a pandemia de coronavírus. Fundado por Luis Felipe e Indiara Dias de Souza, surgiu com um propósito claro e urgente: levar justiça social às populações mais vulneráveis.
Movido por sensibilidade e cuidado com o próximo, o IJ iniciou sua jornada na área da saúde, mas logo encarou novos desafios e expandiu seu alcance para outras causas essenciais, como a proteção ao meio ambiente e o acesso à educação. Hoje, o Instituto Justiça é símbolo de transformação e impacto positivo.
Atua tanto na criação de projetos próprios quanto no impulsionamento de outras iniciativas sociais, sempre com o olhar atento às necessidades reais das pessoas. Cada ação é um passo rumo a um futuro mais justo, mais humano, mais consciente.
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