Sábado, 31 de Outubro de 2020

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Saúde Proteínas sestrinas atuam para reverter a perda muscular

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Exercícios resistidos ajudam a frear a perda muscular, mas estão sendo estudadas suplementações com proteínas sestrinas. (Foto: Reprodução)

A grande perda de proteína muscular, com atrofia ou enfraquecimento, é comumente observada com o envelhecimento (sarcopenia), em casos de desuso muscular, desnervação muscular e em estados catabólicos inflamatórios sistêmicos. A perda de massa e função muscular esquelética tem consequências para a saúde mental, social e física que diminuem a qualidade de vida e aumentam o risco de complicações para a saúde. Seu tratamento é extremamente complicado, especialmente nos idosos. Um grupo de proteínas descobertas recentemente, chamadas de sestrinas, tem papel fundamental na manutenção da massa muscular, como mostra um novo estudo publicado nesta quinta-feira (24) no The New England Journal of Medicine. Mas para entender a importância dessa manutenção, primeiro precisamos entender como funciona o “catabolismo x anabolismo” no nosso músculo esquelético.

O músculo adapta constantemente sua massa e função aos estímulos fisiológicos e patológicos, alterando o fluxo por meio de vias de sinalização que influenciam o “turnover” da proteína. Embora várias vias de sinalização que regulam a atrofia muscular tenham sido identificadas, as tentativas de interromper a sinalização atrófica não foram capazes de mitigar clinicamente a o problema. Além disso, a disfunção metabólica mitocondrial é uma característica concomitante na proteólise muscular patológica.

As sestrinas

As sestrinas são produtos de três genes: SESN1, SESN2 e SESN3. Essas proteínas são reguladoras metabólicas induzíveis por estresse que afetam as funções antioxidantes e trazem benefícios metabólicos para o músculo.

A perda muscular, incluindo a sarcopenia, ocorre quando a atividade das vias de degradação de proteínas excede a das vias de formação. A proteólise (degradação) muscular acontece principalmente por meio das ações das ubiquitina ligases (enzimas que mostram degradação muscular). Portanto, eliminar essa ubiquitina ligase em estudos foi eficaz na mitigação da atrofia muscular.

Dois hormônios endógenos, insulina e fator de crescimento semelhante à insulina 1 (IGF-1), podem conter a degradação muscular ativando a via de sinalização Akt-mTORC1 e seus efetores. Infelizmente, a ativação de Akt-mTORC1 com insulina exógena ou IGF-1 mostrou sucesso limitado na neutralização da perda muscular patológica, em parte porque as células do músculo esquelético tornam-se resistentes à insulina durante a atrofia.

Demonstrou-se que os exercícios de resistência têm benefícios metabólicos notáveis (por exemplo, aumento da sensibilidade à insulina e diminuição da inflamação) e hipertrofia muscular, em parte por meio da ativação do proliferador de peroxissoma coativador 1α (PGC1α), que promove a função mitocondrial e a biogênese.

Como as sestrinas beneficiam os músculos?

A expressão de sestrina 1 está diminuída na atrofia muscular (desuso, desnervação ou envelhecimento) e consistente com esses achados está a observação de que a expressão de sestrinas é comparativamente baixa no músculo esquelético de humanos idosos e frágeis.

O endocrinologista Dr. Alberto Dias Filho, do EndoNews, comenta que “os pesquisadores descobriram que o nocaute muscular específico de sestrinas exagera a quebra de proteína muscular e que a superexpressão de sestrinas específicas do músculo pode impedir as perdas musculares. Estudos mostram que as sestrinas atuam como transdutores moleculares dos efeitos benéficos do exercício, incluindo maior resistência e melhor sinalização da insulina.”

O uso de treinamento de resistência para melhorar a função muscular não é uma opção viável para muitos pacientes com perda muscular, incluindo sarcopenia, devido a limitações relacionadas à doença, fragilidade relacionada à idade, obesidade mórbida ou capacidade física limitada.

Verificou-se que os medicamentos para reverter a perda de massa muscular são eficazes em modelos animais, mas nenhum foi aprovado ainda pela Food and Drug Administration (FDA) para a reversão da atrofia muscular na prática clínica.

Maiores investigações aprofundadas de indutores ou ativadores de pequenas moléculas para direcionar as sestrinas no músculo são chaves na busca para encontrar maneiras de reverter a perda muscular.

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