Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 29 de junho de 2015
Na quinta-feira a Executiva Nacional do PT se reuniu em São Paulo para, entre outras coisas, avaliar os estragos causados ao partido pelas Operações Lava-Jato e Acrônimo. Na reunião, o PT tomou duas decisões importantes. A primeira, tornada pública, foi aprovar uma resolução política na qual sai em defesa das empreiteiras suspeitas de desviar recursos da Petrobras. A segunda, até agora mantida em sigilo, foi convidar o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, a dar explicações ao partido sobre as últimas ações da PF (Polícia Federal), subordinada a ele.
O presidente do PT, Rui Falcão, disse que o objetivo é simplesmente ouvir o ministro. No entanto, conforme integrantes da cúpula petista, a ideia é enquadrar Cardozo. Militante do PT há mais de 30 anos, homem de confiança da presidenta Dilma Rousseff, o ministro é responsabilizado por setores do partido pela manutenção da prisão temporária do ex-tesoureiro João Vaccari Neto, detido desde 15 de abril, e pelas buscas no escritório político do governador de Minas Gerais, Fernando Pimentel (PT), e na agência Pepper, que presta serviços à sigla.
Em conversas reservadas, lideranças petistas usam termos como “inoperante”, “omisso”, “sem pulso firme nem liderança” e “egoísta” para se referir ao ministro. Desde sexta-feira, com a divulgação da delação premiada de Ricardo Pessoa, da empreiteira UTC, que relatou ter feito repasses às campanhas de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a insatisfação em relação ao ministro aumentou consideravelmente.
Em uma reunião de representantes dos setoriais petistas realizada na semana passada, também em São Paulo, uma dirigente ligada a um parlamentar sugeriu abertamente que o PT peça a demissão do ministro.
Na resolução política aprovada pela Executiva Nacional, a cúpula petista aumentou a intensidade dos ataques aos responsáveis pelas investigações contra o partido. Em cinco dos 16 itens do documento, o PT faz críticas à operação. No item número 6, o partido se diz preocupado com os efeitos econômicos do “prejulgamento” das empreiteiras, apesar de pessoas ligadas a pelo menos cinco delas terem confessado à Lava-Jato participação no esquema de desvio de recursos da Petrobras.
A ideia de convidar Cardozo a dar explicações ao partido surgiu durante o debate sobre a manutenção da prisão de Vaccari, vista pelo PT como uma arbitrariedade cometida pela força-tarefa da Lava-Jato.
Uma das cobranças que será feita ao ministro é o fato de a PF ter aberto uma investigação sobre um carregamento de dinheiro feito por um empresário próximo a Pimentel, mas não apurar casos semelhantes envolvendo tucanos, a exemplo de um apoiador do deputado Bruno Covas (PSDB-SP) pego com 100 mil reais em dinheiro às vésperas da eleição do ano passado. Para o PT, a PF não tem isonomia.
Lula
Embora não tenha relação direta com o convite ao ministro, Lula também tem intensificado as críticas a Cardozo. O ex-presidente é um desafeto histórico do ministro, com quem acumula atritos desde meados da década de 1990, e nunca engoliu a escolha e manutenção de Cardozo no ministério. Nos últimos dias, no entanto, Lula fez chegar ao titular da Justiça e a Dilma sinais mais claros de descontentamento.
O ministro se defende dizendo que não tem autonomia nem poder para impedir ações da PF. Aos emissários de Lula, lembrou que foi no governo do ex-presidente, quando o ministro da Justiça era Tarso Genro (PT), que o setor de inteligência da PF foi descentralizado com a criação de centrais em cada superintendência estadual. (AE)
Os comentários estão desativados.