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Notícias Saiba quantos dias devemos tirar de férias

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Em viagens mais longas, há mais tempo para nos acostumarmos aos estímulos ao redor, especialmente se ficarmos em um único destino e praticarmos atividades parecidas. (Foto: iStock/Reprodução)

Sair de férias é maravilhoso. Só de planejá-las já ficamos felizes. Sem contar que os dias de folga podem reduzir o risco de ataque cardíaco e depressão. E, quando voltamos ao trabalho, provavelmente estamos mais engajados e criativos. Mas quantos dias devemos tirar? Será que podemos aplicar um conceito econômico chamado bliss point (ponto de felicidade ou ponto ideal, em tradução livre), para determinar a duração perfeita das nossas férias, seja festejando em Las Vegas ou acampando nas montanhas?

O conceito de “ponto de felicidade” tem dois significados diferentes, mas relacionados. Na indústria de alimentos, quer dizer identificar a combinação perfeita de sal, açúcar e gordura para incluir nos produtos, de modo que fiquem irresistíveis e deixem os consumidores apaixonados.

Mas também é um conceito econômico que se refere ao nível de consumo em que ficamos mais satisfeitos, o pico a partir do qual qualquer consumo adicional nos deixa menos satisfeitos. Com a comida, sabores distintos tendem a sobrecarregar o cérebro, o que pode diminuir nosso apetite, algo conhecido como “saciedade sensorial específica”.

Quando se trata de música, nós arruinamos nossas músicas favoritas as ouvindo demais, mudando assim a forma como nossos cérebros reagem a elas. Mas como isso funciona quando o assunto é tirar férias? Muitos de nós já vivenciamos esse ponto em que, embora tenhamos nos divertido muito, estamos prontos para voltar para casa. É possível que, mesmo relaxando na praia ou desbravando novos lugares, a gente possa enjoar de uma sensação boa?

Por que a dopamina é fundamental

Não dá para ter certeza, mas os psicólogos acreditam que a dopamina – um neurotransmissor responsável pela sensação de prazer que o cérebro libera em resposta a atividades humanas recompensadoras – desempenha um papel nisso. As atividades recompensadoras podem incluir ações que sejam biologicamente significativas, como comer e fazer sexo, assim como estímulos como dinheiro, jogos de azar ou estar apaixonado.

A dopamina é conhecida por produzir um estado de bem-estar. E de acordo com Peter Vuust, professor de neurociência na Universidade de Aarhus, na Dinamarca, desbravar um novo lugar aumenta os níveis de dopamina, porque costuma desafiar as pessoas a se adaptarem a novos ambientes, culturas e rotinas.

Segundo ele, quanto mais complexa for uma experiência, maior é a probabilidade de ficamos “repletos” de dopamina. “Se a experiência é unidimensional, você se cansa muito rapidamente. Mas, se for variada e desafiadora, continuará sendo interessante. E o ‘bliss point’ será protelado”, afirmou.

Novidade é bom

Há, no entanto, poucas pesquisas sobre o tema. Jeroen Nawijn, professor e pesquisador da Universidade de Ciências Aplicadas de Breda, na Holanda, diz que a maioria dos estudos sobre felicidade nas férias – inclusive o dele – analisaram viagens curtas de não mais do que duas semanas, uma vez que há poucos conjuntos de dados para estudar.

Sua pesquisa sobre o estado de espírito de 481 turistas na Holanda, a maioria em viagens de 17 dias ou menos, não encontrou evidências do chamado “ponto de felicidade”. “Não acho que as pessoas alcançarão o ‘bliss point’ durante férias relativamente curtas”, disse Nawijn.

Mas ele acredita que “definitivamente poderia acontecer em viagens mais longas”. Existem algumas teorias de por que isso pode ocorrer. A primeira argumenta que simplesmente ficamos entediados, da mesma forma quando ouvimos a mesma música repetidas vezes. Um estudo mostrou que entre um terço e pouco menos da metade do aumento da felicidade nas férias é proveniente da novidade ou da sensação de que os estímulos são diferentes da vida cotidiana.

Em viagens mais longas, há mais tempo para nos acostumarmos aos estímulos ao redor, especialmente se ficarmos em um único destino e praticarmos atividades parecidas – por exemplo, em um resort. Então, mais uma vez, as pessoas podem simplesmente variar as atividades durante as férias para evitar o tédio. É possível aproveitar as folgas por várias semanas se tivermos liberdade e meios para escolher o que fazer, destacou Nawijn.

tags: Saúde

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