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Colunistas Que mundo está sendo gestado?

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(Foto: Reprodução)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Há décadas se discute o suposto declínio dos Estados Unidos. A ascensão da China tirou o tema da academia e o trouxe para o debate público mais amplo.  A crise interna americana, a polarização política, o desgaste institucional e as decisões externas controversas tornaram mais urgentes as preocupações. Nesse debate há de tudo, inclusive análises sérias e que merecem ser lidas. Afinal, estamos falando de uma movimentação geopolítica e econômica monumentais.
O jornalista espanhol Iñaki Errazkin, em seu artigo “Quando o império deixa de ser necessário”, diz que a crise americana não decorre de rejeição moral do mundo, mas do fato de os EUA estarem se tornando menos indispensáveis. Durante décadas, o planeta precisou consumir os Estados Unidos: seus carros, sua tecnologia, sua cultura, seu sistema financeiro e o exorbitante benefício de imprimir o dólar. Mesmo diante de sanções, guerras e violações internacionais, esse consumo sustentava a hegemonia. Agora, surgiram alternativas reais, da indústria automotiva chinesa à diversificação de moedas e cadeias de suprimento, e o “pacto tácito” começa a se desfazer. Quando um império deixa de ser necessário, argumenta Errazkin, ele já começou a perder.
Há um segundo elemento crucial, destacado pelo historiador britânico Niall Ferguson, que também serve de alerta: impérios nem sempre declinam lentamente. Em muitos casos, eles desmoronam de forma súbita quando fatores internos tais como a polarização política, a instabilidade institucional, crises econômicas, se combinam com pressões externas. A história, em reforço ao argumento de Ferguson, mostra que os ciclos imperiais estão encurtando. Roma durou séculos; o Império Britânico, pouco mais de 200 anos; a hegemonia americana, consolidada após a Segunda Guerra, mal ultrapassa oito décadas e já enfrenta questionamentos profundos.
A China é parte importante desse cenário. Seu avanço tecnológico, industrial e logístico redefine o jogo global. Sua coesão social, disciplina e uso intensivo da tecnologia sustentam a expansão do país. Ainda assim, como lembram Daron Acemoglu e James Robinson, há limites estruturais em regimes com forte centralização política. Sem instituições inclusivas, liberdade de expressão e espaço para inovação social, o crescimento encontra barreiras que não são apenas econômicas.
Do outro lado, os Estados Unidos continuam sendo a maior potência militar, financeira e cultural do mundo. Mantêm impressionante capacidade de reinvenção, algo que já surpreendeu críticos em outros momentos históricos, e uma força institucional que não pode ser subestimada. A história de previsões fracassadas sobre o “fim americano” recomenda cautela.
O que parece inegável, porém, é que vivemos um mundo no qual nenhum império consegue monopolizar as regras do jogo por muito tempo. A pressão global, a velocidade das mudanças tecnológicas, a hiperconectividade e a complexidade econômica tornam a hegemonia mais instável e menos previsível. O resultado pode não ser a simples substituição dos EUA pela China, mas a consolidação de um sistema multipolar, com distribuição de poder entre diferentes polos, Estados Unidos, China, União Europeia, Índia e países do Sul Global que já não aceitam viver sob tutela permanente.
A grande questão, então, não é apenas se os EUA estão em declínio, mas de que forma esse declínio pode ocorrer. Errazkin sugere que o império se esvazia quando deixa de ser necessário. Ferguson alerta que, quando a erosão institucional interna encontra desafios externos, impérios podem ruir de forma repentina. Entre o esvaziamento gradual e a ruptura súbita, o mundo caminha para uma reconfiguração profunda do poder global.
O século XXI não será um remake da Guerra Fria. Será mais incerto, mais disputado e, possivelmente, mais perigoso. Mas também será um século no qual a hegemonia poderá ser substituída não por um novo imperador, e sim por um sistema mais plural, e mais difícil de controlar. A história continua, e costuma surpreender até seus melhores intérpretes.
(Instagram: @edsonbundchen)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

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1 Comentário
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Eloa Guten não falei isso antes, porque não q
10 de setembro de 2026 16:27

A única coisa, q posso dizer é q está difícil!!!

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