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Colunistas Quebrando Tabus: o que ainda silencia a intimidade nos casamentos

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Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.

Apesar de vivermos em uma era de informação abundante e discursos cada vez mais abertos sobre sexualidade, dentro de muitos casamentos ainda reina um silêncio desconfortável.

Um silêncio que não é apenas ausência de palavras, mas presença de dúvidas, inseguranças, medos e, principalmente, tabus que seguem atravessando gerações.

Atendo diariamente casais que se amam, que desejam permanecer juntos, mas que não conseguem conversar sobre o que mais impacta a conexão entre eles: a intimidade. Falam sobre contas, filhos, rotina, compromissos, mas travam quando o assunto é desejo, prazer, limites e fantasias.

E aqui está um dos maiores paradoxos dos relacionamentos atuais: casais que dividem a vida, mas não conseguem dividir suas verdades mais íntimas.

Os tabus sexuais no casamento não são, na maioria das vezes, explícitos.

Eles se escondem em frases como “isso não se fala”, “ele(a) deveria saber”, “não quero magoar”, ou ainda “tenho vergonha”.

Essa dificuldade de comunicação gera uma desconexão silenciosa, onde um espera que o outro adivinhe, enquanto ambos se frustram.

Um dos pontos mais delicados e pouco falados é a diferença de desejo sexual entre homens e mulheres.

Muitos casais entram em conflito porque esperam sentir vontade do mesmo jeito e na mesma frequência.

Mas o desejo não funciona assim. Em geral, o homem tende a ter um desejo mais espontâneo, enquanto a mulher precisa de conexão, clima e envolvimento emocional para que o desejo apareça.

Quando isso não é entendido, surgem mágoas: um se sente rejeitado, o outro pressionado e, no lugar da conversa, o silêncio se instala.

Outro ponto crucial é a ausência de diálogo intencional.

Comunicação íntima não acontece por acaso. Ela precisa ser construída com segurança emocional, respeito e abertura.

Não se trata apenas de falar o que gosta ou não gosta, mas de criar um ambiente onde o outro se sinta acolhido para ouvir sem julgamento, sem críticas, sem ironias.

E aqui entra um aspecto muitas vezes negligenciado: o afeto fora do ato sexual. O beijo na boca, por exemplo, que deveria ser um símbolo de conexão, vai desaparecendo com o tempo em muitos relacionamentos.

Casais que já não se beijam mais estão, muitas vezes, sinalizando uma perda gradual da intimidade emocional. O beijo não é apenas um gesto físico, ele é um reencontro, um convite, um lembrete de que ainda existe desejo e presença.

Além disso, existe o tabu do “desempenho perfeito”. A ideia de que o sexo precisa ser sempre intenso, espontâneo e impecável cria uma pressão desnecessária. A intimidade real não é um espetáculo, é uma construção.

Tem dias bons, dias medianos e dias em que o mais importante é apenas estar junto.

Quebrar tabus no casamento exige coragem. Coragem para olhar para si, reconhecer suas limitações e abrir espaço para o crescimento.

Exige maturidade para entender que o outro não é responsável por adivinhar desejos não expressos. E, acima de tudo, exige disposição para transformar o relacionamento em um lugar seguro onde o amor não seja apenas dito, mas vivido em todas as suas dimensões.

Casais saudáveis não são aqueles que não têm dificuldades, mas aqueles que aprendem a conversar sobre elas. Falar sobre sexualidade dentro do casamento não deveria ser um tabu, deveria ser um ato de cuidado, conexão e respeito.

Porque, no fim, a verdadeira intimidade nasce quando conseguimos falar o que sentimos e desejamos de forma leve e natural.

Se você enfrenta algum desses dilemas, saiba que isso é mais comum do que parece e que você não está só.

A boa notícia é que existem caminhos possíveis e profissionais qualificados para ajudar.

Não desista de algo tão importante por causa de ruídos que, com diálogo, acolhimento e orientação, podem ser compreendidos e superados.

(Tatiane Scotta – Psicóloga, Sexóloga e Palestrante)

Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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