Quinta-feira, 18 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 3 de junho de 2017
O último ano havia sido bom para Rodrigo Rocha Loures. Com a ascensão de Michel Temer à Presidência, o aliado ganhou, em setembro passado, uma sala no mesmo andar do presidente, atuando como assessor especial de Temer. Na mesma época, sua mulher engravidou. Poucos meses depois, Rocha Loures voltou à Câmara dos Deputados, assumindo, por ser suplente, a vaga de Osmar Serraglio quando este foi nomeado para o Ministério da Justiça. Com o retorno de Serraglio à sua cadeira na Câmara, na quinta-feira, Rocha Loures perdeu o foro privilegiado que tinha como deputado, aumentando a expectativa de que venha a se tornar um “homem-bomba” para o governo Temer.
O apelido se espalhou em Brasília devido ao potencial explosivo de uma eventual delação premiada – que poderia desvelar as negociações por trás da mala de 500 mil reais que Rocha Loures recebeu da JBS, e qual seria o destino final da propina. Delatores da empresa afirmaram que os recursos seriam destinados ao presidente.
Na quinta-feira à noite, a Procuradoria-Geral da República reiterou o pedido de prisão de Rocha Loures ao Supremo Tribunal Federal. A perda da imunidade parlamentar e sua situação familiar – e a gravidez da companheira, que já soma 8 meses – alimentam a expectativa de que o ex-assessor de Temer venha a falar.
A maré virou na noite em que o escândalo das delações da JBS explodiu no Brasil. Rocha Loures estava longe, em Nova York. Na véspera, vestira smoking para prestigiar João Doria, no jantar de gala em que o prefeito de São Paulo recebeu o prêmio de Personalidade do Ano pela Câmara do Comércio Brasil-EUA. Na volta da viagem, em que aconselhou potenciais investidores americanos sobre as reformas no Congresso, Rocha Loures desembarcou em Guarulhos sob gritos de “ladrão”. A alcunha de “homem-bomba” está muito distante do apelido de vida toda, o de Rodriguinho – filho de “Rodrigão”, o conhecido empresário paranaense Rodrigo Costa da Rocha Loures, fundador da Nutrimental e presidente do Conselho Superior de Inovação e Competitividade, na Fiesp.
A empresa, que teve faturamento de 400 milhões de reais em 2014, é pioneira das barrinhas de cereais no Brasil, que começou a desenvolver ao ser procurada por Amyr Klink nos anos 1980. O ilustre navegador buscava opções de alimentação saudável para abastecer suas longas travessias marítimas. Hoje, é mais conhecida pela marca que nasceu dessa história, a Nutry – que Rodrigo, o filho, ajudou a desenvolver nos anos que passou à frente da empresa, antes de enveredar pela política.
Quem acompanhou a trajetória do político e administrador de empresas nascido em 1966 entre os Rocha Loures – uma tradicional família do Paraná – diz que foi um “choque”, uma “surpresa”, ver e rever as imagens do ex-deputado saindo da pizzaria Camelo, em São Paulo, com a mala de dinheiro.
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