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Mundo Quem é Santiago Peña, presidente do Paraguai e aliado de Trump

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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nessa quinta-feira (5) após perder o apoio do Partido Colorado no Congresso. (Foto: Reprodução)

O presidente do Paraguai, Santiago Peña, renunciou ao cargo nessa quinta-feira (5) após perder o apoio do Partido Colorado no Congresso em consequência da crise no banco digital Ueno Bank, que levou ao bloqueio de contas correntes e investimentos de cerca de 40% da população e paralisou o comércio nacionalmente. A apresentação da renúncia não impediu a abertura de um processo de impeachment, aprovada pelos 78 deputados presentes na sessão da Câmara. O julgamento político de Peña prosseguirá no Senado.

Economista de direita, Santiago Peña foi eleito presidente do Paraguai por uma ampla margem em abril de 2023, Sua vitória nas eleições presidenciais, manteve o direitista Partido Colorado no poder apesar de fortes divisões internas e de acusações de corrupção contra os principais líderes da legenda.

Carismático e sorridente, Peña foi eleito aos 44 anos em sua primeira participação em uma eleição nacional. Em 2017, ele perdeu a indicação à Presidência nas primárias coloradas para Mario Abdo Benítez, a quem sucedeu.

Considerado um tecnocrata com uma brilhante carreira acadêmica, mas com pouca experiência, Peña entrou na política levado pelo ex-presidente Horacio Cartes (2013-2018), hoje na lista de sanções dos EUA acusado de ser “significativamente corrupto”, mas que no passado o filiou ao Partido Colorado e o indicou ministro da Economia.

Seus adversários costumavam atacá-lo como “secretário de Cartes”, mas Peña parecia não se importar.

“É alguém muito sereno, impressiona sua tranquilidade”, disse à AFP um de seus colaboradores.

Na sala de sua casa em Assunção, há fotos ao lado de sua mulher, Leticia Ocampos, com quem se casou quando eram adolescentes, pouco depois de ela ficar grávida. O casal tem dois filhos.

“Fui pai aos 17 anos. Foi um momento duro na vida. Não foi planejado, mas me levou a construir (a vida) sobre os princípios muito sólidos do compromisso, responsabilidade, honestidade, integridade, do saber que tem gente que depende de você. E, sem me dar conta, com 17 anos comecei a desenvolver a vocação do serviço”, disse Peña.

Em entrevista à AFP, o presidente relembrou que as famílias dos dois os apoiaram e que seu pai o incentivou a continuar os estudos. Reconhece ainda o apoio de sua mãe e de seus dois irmãos mais velhos. Peña conseguiu ir à Universidade Columbia, em Nova York, e trabalhar por algum tempo para o Fundo Monetário Internacional (FMI). Também fez parte da direção do Banco Central do Paraguai.

Durante a campanha presidencial de 2023, ela afirmou ter recebido “um grande apoio familiar”.

“Tenho um núcleo familiar maravilhoso que me acompanhou, que foi uma contenção durante todo esse período”, disse.

Muito conservador e defensor do que chama de “família tradicional”, Peña se dizia contra a legalização do aborto porque parecia para ele “o mais fácil, um atalho”” Também se dizia decidido a defender a família “em sua composição tradicional: mãe, pai e filhos”.

Como outros políticos de extrema direita, Peña afirmou ter um “laço fraternal enorme com Israel” e, na campanha presidencial, afirmou que pretendia mudar novamente a embaixada do Paraguai para Jerusalém. Seguindo o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, então em seu primeiro mandato, o governo de Horacio Cartes levou a embaixada do Paraguai para Jerusalém, uma medida que foi revertida por Mario Abdo.

Peña foi criticado por declarar que o ex-ditador paraguaio Alfredo Stroessner (1954-1989) levou “estabilidade” ao país.

“Creio que Stroessner quebra o ciclo de instabilidade política”, declarou. “Infelizmente fecharam o cerco, limitaram muitas liberdades e direitos humanos sob o pretexto da estabilidade.”

Apesar de não ter apresentado um programa de governo, uma de suas principais promessas de campanha de Peña foi a criação de 500 mil postos de trabalho. No final, entregou uma crise bancária que afeta cerca de 40% da população e paralisa o comércio paraguaio.

Em novembro de 2024, enquanto participava da cúpula do G20 no Rio de Janeiro, Peña foi hospitalizado após sentir dores no peito. A Presidência do Paraguai afirmou que o presidente sofreu apenas uma “indisposição”. Ao jornal O Globo, fontes próximas ao presidente paraguaio afirmaram que, “por precaução”, foi sugerido que Peña fizesse alguns exames na unidade de saúde.

Em sua presidência, Peña colocou o Paraguai no Escudo das Américas, aliança do governo de Donald Trump para segurança e combate ao narcotráfico. O Escritório de Assuntos Internacionais de Narcóticos e Aplicação da Lei (INL) ficará em Assunção e “funcionará como centro regional para a coordenação dos programas (…) no Cone Sul”. As informações são do jornal O Globo e de agências internacionais de notícias.

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