Terça-feira, 24 de fevereiro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de fevereiro de 2026
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
Todos nós temos um trono invisível.
Pode parecer uma afirmação forte, mas basta observar a própria rotina. Toda decisão nasce de algo que governa. Medo, ambição, aprovação, dinheiro, controle. Ou fé.
Essa semana, durante meu estudo das Escrituras, uma palavra me atravessou: entronizado.
No livro de 2 Reis, capítulo 19, o rei Ezequias estava sob ameaça direta do império mais poderoso da época. Jerusalém cercada. Carta de afronta recebida. Pressão política, militar e psicológica.
Ele tinha conselheiros. Estrutura. Estratégia.
Mas foi orar.
E o que mais me chamou a atenção não foi o ato de orar. Foi como ele começou. Ele não iniciou falando do problema. Ele começou reposicionando o trono. Antes de apresentar a crise, declarou quem Deus era.
Quando você lembra quem Deus é, o tamanho do inimigo muda de proporção.
Trago essa reflexão para a realidade de hoje.
Tenho quatro décadas de vida. Mais da metade trabalhando. Parte empreendendo. Minha primeira formação foi em Administração de Empresas. Entrei na faculdade aos 16 anos. Tenho pós-graduações, MBA, diplomas internacionais que vão de Milão a Nova York.
Aprendi a estruturar, calcular risco, analisar cenários, tomar decisões técnicas. Durante um tempo, acreditei que conhecimento e experiência seriam suficientes para conduzir meus negócios apenas pelo intelecto ou pelo aconselhamento de profissionais qualificados.
E aqui faço um ponto essencial.
É claro que a fé não substitui responsabilidade, planejamento, estudo ou estratégia. Ela não exclui preparo, pelo contrário, ela orienta responsabilidade.
Fé não é fuga, fé é fundamento. E obviamente ela não anula o planejamento, mas ajuda dar direção.
A fé não elimina o estudo, pelo contrário, dá sentido ao estudo. E também não dispensa estratégia, mas purifica a intenção.
Responsabilidade sem fé pode gerar arrogância, mas fé sem responsabilidade pode gerar imprudência. É a fé que orienta responsabilidade e produz equilíbrio.
Quando digo que filtro minhas decisões pela fé, não estou espiritualizando impulsos. Estou afirmando que elas continuam técnicas, estruturadas, analisadas. A diferença é que passam por um filtro moral e espiritual antes de serem executadas.
E aqui entra a pergunta mais madura.
Como diferenciar uma decisão realmente orientada por Deus de uma decisão que apenas parece espiritual, mas nasce do próprio desejo?
Para mim, isso se revela na coragem de recuar quando a convicção não está em paz. Às vezes, a estratégia diz sim. A consciência diz não. É nesse confronto que se revela quem realmente está no trono.
Entronizado significa colocado no trono. Estabelecido como rei. Reconhecido como autoridade máxima.
Quando as Escrituras afirmam que Deus está entronizado, estão dizendo que Ele governa. Que tem soberania. Que não reage aos acontecimentos, mas está acima deles.
Entronizar alguém é conceder poder legítimo.
Se Deus está entronizado, não existe área neutra na vida. Ou Ele governa, ou outra coisa governa.
Muitos dizem que Deus é Rei. Mas, na prática, entronizam o medo, a opinião dos outros, o dinheiro, o controle ou o poder.
O trono do coração nunca fica vazio.
Sempre há algo ocupando.
E aqui eu falo do meu Deus. O Deus em quem eu creio. Compartilho a experiência de quem também vive conflitos entre controle e fé.
Entronizar Deus não elimina os inimigos ao redor. Não elimina dificuldades. O que elimina é a ilusão de que somos soberanos absolutos da própria história.
Às vezes, a pressão não vem para nos destruir. Vem para revelar quem governa nossa confiança.
E a pergunta permanece.
Quem está entronizado hoje nas suas decisões?

SUELLEN RIBEIRO – Empresária, mentora de posicionamento de marca pessoal, palestrante e apresentadora do Jornal da Pampa, do Grupo Rede Pampa. (Instagram @suribeiroc)
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
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