Quarta-feira, 06 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 6 de maio de 2026
O secretário executivo do Ministério da Fazenda, Rogério Ceron, afirmou em entrevista ao Valor Econômico que o governo avalia novas políticas de crédito para alcançar públicos além dos contemplados pelo novo Desenrola.
Entre as frentes em análise está um conjunto de medidas voltado a pessoas altamente endividadas, mas ainda adimplentes. “Isso é importante para também não gerar um incentivo para ficar inadimplente”, disse o secretário.
O volume de dívidas elegíveis no programa anunciado gira em torno de R$ 100 bilhões. Do universo de 20 milhões de pessoas que podem ser alcançadas pela iniciativa, cerca de 11 milhões estão negativadas com débitos de até R$ 1 mil, disse Ceron.
Pelas regras do programa, a título de exemplo, uma pessoa com dívida de R$ 1 mil e inadimplente há seis meses poderá regularizar sua situação com R$ 150, tendo a possibilidade de parcelamento em três vezes de R$ 52 – a parcela mínima foi fixada em R$ 50.
“Você tem uma concentração muito grande em dívidas pequenas, só para mostrar a relevância da política pública”, pontuou o secretário. Segundo ele, esse contingente de 11 milhões de pessoas poderia ser reduzido com um volume inferior a R$ 500 milhões.
Ceron disse não ver risco de judicialização no modelo desenhado pelo governo de utilizar recursos não resgatados do Sistema de Valores a Receber para reforçar o Fundo de Garantia de Operações e ampliar as garantias nas renegociações de dívidas. “Estamos criando um modelo mais saudável, que pode contribuir para a redução do spread bancário. Não tenho dúvida de que é a melhor solução para o País”, afirmou.
O secretário acrescentou que o governo ainda estuda lançar uma linha de crédito voltada a motoristas de aplicativo para a aquisição de carros. Segundo ele, embora se trate de crédito para pessoa física, a proposta não tem caráter de consumo, mas de estímulo à geração de renda e formação de poupança.
Ceron afirmou, ainda, que é possível discutir a criação de linhas de crédito direcionadas por setores para apoiar a adaptação de empresas afetadas pelo eventual fim da jornada de trabalho 6×1. A ideia seria mais concentrada nos segmentos mais impactados pela mudança, e não necessariamente no porte das empresas. Ele rechaçou qualquer possibilidade de compensar financeiramente as empresas caso a regra da nova jornada de trabalho avance.
Já sobre a discussão na ampliação do limite de faturamento do Microempreendedor Individual (MEI), o secretário disse ter sérias ressalvas quanto ao momento para discutir a medida, devido ao custo fiscal e o impacto na Previdência.
O secretário comentou, ainda, que o uso do Fundo Constitucional do Distrito Federal (FCDF) como garantia para o empréstimo de até R$ 6,6 bilhões que Governo do Distrito Federal (GDF) busca para salvar o Banco de Brasília é uma opção “justa” e sinaliza compromisso com a quitação da dívida, ao oferecer uma garantia relevante e concreta. Atualmente, o FCDF tem como principal finalidade financiar a segurança pública, além de apoiar áreas como educação e saúde.
“Estamos pressupondo que a intenção do GDF é tomar a operação e pagá-la. Se é esse o objetivo, não há problema em dar uma garantia que seja importante”, disse Ceron.
Leia trechos da entrevista:
* Havia uma expectativa de uma medida para trocar a dívida cara por barata para melhorar o perfil de crédito. Isso aínda será lançado?
O foco foi olhar para e inadimplentes pessoas físicas, com uma mudança significativa em relação ao Desenrola anterior, que estava muito focado em dívidas antigas, que já tinham até quatro anos de inadimplência. Este está focado em dívidas curtas. O que também deve potencializar muito o resultado é que a negociação vai ocorrer no próprio canal onde houve a tomada de crédito. A gente já adiantou alguma coisa para pessoa física também na parte de consignado do INSS público, uma questão estrutural, com a redução gradativa da margem, ao mesmo tempo que a ampliação do prazo permite esse reperfilamento para poder dar conta nesse processo de melhoria da renda disponível e trazê-la com patamar sustentável, evitando a inadimplência.
* O Desenrola tem potencial de negociar quantos bilhões em dívidas?
São cerca de R$ 100 bilhões o rol de dívidas elegíveis. Você tem uma concentração muito grande em dívidas pequenas. Cerca de 11 milhões estão negativas com uma dívida menor do que R$ 1 mil. Você tem uma concentração muito grande em dívidas pequenas, só para mostrar a relevância da política pública. Essa pessoa não tem acesso a nada, nenhum produto no mercado por conta disso. Seu nome está sujo. Com o programa, essa pessoa com uma dívida de R$ 1 mil, se estiver vencida há um ano, a dívida cai para menos que R$ 200 (com a renegociação). Dependendo do prazo, a dívida pode ficar em até R$ 100. E ainda pode parcelar. Você consegue reduzir a dívida desses 11 milhões de brasileiros com um universo de menos de R$ 500 milhões. (Com informações do Valor Econômico)
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