Terça-feira, 20 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 13 de novembro de 2023
O segundo domingo do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) voltou a ter vazamento do caderno de questões antes do horário permitido, mas depois do início do exame. A prova também teve duas questões reaproveitadas na prova de Matemática. Uma delas, idêntica a uma da prova de reaplicação do Enem em 2010, foi anulada. A outra questão era quase igual a uma aplicada no vestibular da Universidade Estadual de Goiás (UEG) em 2003.
O ministro da Educação, Camilo Santana, afirmou que o Ministério da Educação (MEC) acionou a Polícia Federal (PF) para investigar o novo vazamento, ao fazer um balanço sobre o segundo dia ao lado do presidente do Inep, Manuel Palácios, na noite de domingo, quando também confirmou a anulação de uma questão.
“Não há nenhum prejuízo porque não houve confirmação de vazamento antes do início da prova”, declarou Santana. “O Inep decidiu anular a questão da gripe A-H1N1, repetida da edição de 2010.”
A questão anulada apresentava um gráfico com números de casos da gripe AH1N1.
“Estamos tomando as providências para fortalecer toda a equipe que trabalha na construção dos itens do Enem. Estamos prevendo a publicação de um edital para seleção de revisores e elaboradores de itens. Vamos fazer um esforço para reunir um grupo de elaboradores mais significativo. Com isso, conseguiremos um Banco Nacional de Itens mais robusto para o Enem a cada ano. Além disso, temos a intenção de promover uma discussão sobre a modelagem dos itens que compõem o Enem”, acrescentou Palácios.
A divulgação do gabarito oficial também foi antecipada do dia 24 para as 19 horas de amanhã, informou Santana.
Em 2018, o Enem anulou uma questão por não ser inédita, da prova de Matemática. Nesse caso, o item já havia aparecido no vestibular da Universidade Federal do Paraná, no fim de 2013. Naquele ano, o ministério determinou uma investigação do caso.
Reprodução
Os portões dos locais de aplicação do Enem se fecharam às 13h, e às 13h30, começou a prova. Os alunos começaram a sair às 15h30, mas sem os cadernos de questão, o que só foi possível a partir das 18h. Mas às 17h já circulava um arquivo em PDF com todas as páginas da prova amarela.
O Inep informou que a Polícia Federal já identificou oito pessoas que divulgaram imagens desta primeira prova. Segundo os organizadores do exame, não há nenhuma informação de que houve postagem de conteúdo da prova antes do horário estipulado para início da aplicação.
Os investigadores já ouviram pessoas acusadas de cometer irregularidades em Caruaru (PE), Cornélio Procópio (PR), Natal e Brasília. Além disso, são realizadas diligências no Rio Grande do Sul e no Ceará. A PF apreendeu materiais com suspeita de uso para aplicação de fraude do exame em Maceió e em Vitória da Conquista (BA). As empresas responsáveis pelo gerenciamento das mídias sociais foram oficializadas para preservar as imagens das provas e auxiliar com o rastreamento das postagens.
Contagem
Além da questão anulada, a prova de Matemática teve uma quase idêntica a um item que apareceu num vestibular da UEG.
“No Enem, ela apresentava uma imagem com alguns personagens e elas fazem essa mesma contagem, mas aparecia com balões de fala. O enunciado do Enem pede para o estudante identificar como eram o 5 e o 7 nesse sistema de contagem”, explicou o editor de Avaliações no SAS Educação, Pedro Lopes.
A questão se referia a um povo entre a Austrália e a Nova Guiné que não possui escrita, mas estabeleceu um sistema numérico. É encontrada em sites com bancos de questões para preparação ao Enem. Na prova da UEG, era pedido ao candidato para seguir o padrão e descobrir qual seria o número 17.
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