Segunda-feira, 15 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 16 de abril de 2016
Ao abrir o congresso quinquenal do Partido Comunista que deve apontar seu sucessor, o ditador de Cuba, Raúl Castro, voltou a criticar neste sábado (16) os países que questionam Havana por violar direitos humanos e políticos, aludindo aos Estados Unidos.
Como havia feito durante a histórica passagem do presidente americano, Barack Obama, pela ilha em março, Raúl repetiu como argumento a favor do regime as convenções da ONU (Organização das Nações Unidas).
“De todas elas, adotamos 44, enquanto os Estados Unidos cumprem 18. Enquanto para nós a saúde e a educação pública e gratuita são direitos humanos, em alguns países são um negócio.”
Sobre a crítica internacional à inexistência de outros partidos em Cuba, o mandatário afirmou que é uma “decisão dos cidadãos cubanos”.
A questão dos direitos humanos foi a mais polêmica discutida na reunião entre Raúl Castro e Obama. Na ocasião, o americano e o cubano admitiram falhas de direitos humanos nos dois países.
Raúl citou como um dos principais desafios do partido a retomada das relações diplomáticas com os EUA, iniciada em dezembro de 2014.
Economia
Raúl Castro iniciou seu discurso falando sobre a abertura econômica, uma das consequências do que chamou de atualização do modelo econômico e social do sistema socialista cubano.
Em menção a setores do regime que criticam medidas como as cooperativas e o empreendedorismo autônomo, ele disse não se tratar de uma guinada ao capitalismo.
“O reconhecimento da propriedade privada não é uma restauração capitalista. A empresa privada atuará com limites bem definidos e será um elemento complementar ao desenvolvimento do país.”
Ele reconheceu os avanços do setor privado e sua capacidade de gerar empregos à população. No entanto, enfatizou que não deixará que elas tenham lucro excessivo ou aumentem os preços de forma indevida.
“O reconhecimento do mercado não significa que o governo deixe de cumprir seu papel em relação ao que prejudique a população. Não ficaremos de braços cruzados diante de atitudes inescrupulosas de quem pensa só em ganhar cada vez mais.”
Raúl ainda considerou “estratégico e necessário” o investimento estrangeiro para o desenvolvimento. Para ele, trata-se de uma modernização do modelo adotado por outros países de regime comunista que abriram mercado, como China e Vietnã.
Como exemplo, citou a zona econômica de Mariel, cujo porto é construído pela empreiteira brasileira Odebrecht com financiamento concedido pelo BNDES.
“Gerar exportações, promover importações, propiciar transferência de tecnologia, habilidade gerenciais que ainda não sabemos muito e gerar empregos são algumas das vantagens que se esperam da zona de Mariel.”
Por outro lado, reconheceu que a falta de qualificação profissional, e o envelhecimento da população na ilha poderá prejudicar o desenvolvimento e dificultar a entrada de empresas estrangeiras. (Folhapress)
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