Terça-feira, 22 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 26 de dezembro de 2017
A Agência Tributária da Espanha entende que Cristiano Ronaldo deveria estar preso pelos supostos crimes fiscais cometidos no país. Em junho, um promotor público acusou Ronaldo de quatro delitos de fraude fiscal entre 2011 e 2014 no valor de 14,7 milhões de euros (R$ 54,2 milhões). Para a comandante da Unidade Central de Coordenação do Tesouro, Caridad Gómez Mourelo, pessoas que fizeram muito menos já foram detidas.
“Sinceramente, temos pessoas na prisão por terem deixado de pagar 125 mil euros”, disse Mourelo no tribunal dia 7 de dezembro. A declaração ao juiz de primeira instância foi divulgada pelo jornal espanhol El Mundo nesta terça-feira (26).
A promotoria alega que o português usou o que foi considerado uma empresa nas Ilhas Virgens para “ocultar sua renda total ao Fisco da Espanha”. De acordo com a promotoria, Ronaldo declarou ter recebido 11,5 milhões de euros (R$ 42,3 milhões) entre 2011 e 2014 em um declaração de imposto de renda apresentada em 2014, mas seus ingressos reais durante esse período foram de quase 43 milhões de euros (quase R$ 159 milhões). Ele acrescentou que o jogador afirmou falsamente que a renda era proveniente de propriedades, algo que reduziu os impostos cobrados.
Além disso, o português é acusado de se abster “intencionalmente” de declarar 28,4 milhões de euros (R$ 104,6 milhões), relacionados com a cessão de direitos de imagem para o período de 2015 a 2020 para outra empresa, localizada na Espanha.
Eleito melhor jogador do mundo pela Fifa neste ano, Cristiano Ronaldo recentemente ameaçou abandonar o Real Madrid e a Espanha por ter sido investigado pelas autoridades.
Além dele, os argentinos Javier Mascherano (Barcelona), Angel Di Maria (ex-Real, hoje no PSG), o colombiano Falcão Garcia (ex-Atlético de Madrid, agora jogador do Monaco) também foram investigados. O técnico português José Mourinho (atualmente no Manchester United) é outro nome que tem as finanças em xeque por suspeita de fraude fiscal.
Depoimento
Em julho, o craque português compareceu a um tribunal espanhol para prestar depoimento sobre uma suposta fraude fiscal. O jogador do Real Madrid passou mais de 90 minutos respondendo aos questionamentos da juíza Monica Gomez. A sessão no Tribunal de Pozuelo de Alarcon, na periferia de Madri, foi fechada ao público.
Posteriormente, Cristiano Ronaldo divulgou um comunicado em que negou ter cometido qualquer crime, garantindo que “nunca” tentou sonegar impostos. “A Fazenda espanhola conhece em detalhes minhas receitas, pois nós as entregamos. Jamais escondi nada, nem tive a intenção de fraudar impostos. Sempre faço minhas declarações de impostos de modo voluntário, porque penso que todos temos que declarar e pagar impostos de acordo com nossas receitas”, afirmou.
A Gestifute, agência que gere a carreira do craque, afirmou que Ronaldo vem mantendo o mesmo planejamento financeiro na Espanha que tinha quando era jogador do Manchester United, time que defendeu até 2009, antes de chegar ao Real Madrid.
As investigações sobre fraude fiscal no futebol espanhol estão sendo recorrentes nos últimos anos, envolvendo nomes como José Mourinho, Lionel Messi, Neymar, Angel di María e Javier Mascherano.
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