Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de outubro de 2023
Com apenas oito meses de trabalho na Câmara, deputados recém-chegados ao Legislativo federal já dedicam tempo, energia e sola de sapato à próxima disputa eleitoral. Emendar uma eleição na outra está no radar de pelo menos 18 parlamentares que mal assumiram o mandato na Casa e cogitam abandonar o cargo e suas promessas de campanha para disputar uma prefeitura em 2024.
Os estreantes são quase metade dos 38 deputados identificados pelo jornal O Estado de S. Paulo como pré-candidatos em 20 capitais do País. Eles negam que a movimentação pré-eleitoral prejudique o exercício da função na Câmara. Desses 18 pré-candidatos para o ano que vem, 15 usaram R$ 17,9 milhões do fundo eleitoral no ano passado. A exposição e a estrutura do cargo de deputado ajudam nas chances de vitória nos municípios. E, em caso de derrota, não há nenhum prejuízo ao mandato a ser administrado.
Na eleição passada, o então candidato Guilherme Boulos (PSOL-SP) dizia que precisava fazer no Congresso a mesma militância que realizava em favor do Movimento dos Trabalhadores Sem Teto (MTST). “Quero ser deputado para fazer esse enfrentamento no espaço de poder”, afirmou, em um vídeo de campanha.
Mas já no primeiro ano do mandato que conquistou como o mais votado de São Paulo, ele se articula, com agendas públicas e privadas, para tentar virar prefeito da capital paulista. No início de agosto, seis meses após tomar posse na Câmara, Boulos foi a estrela de um evento no qual o PT anunciou o apoio a ele nas eleições de 2024. Boulos pretende ser o principal rival do prefeito Ricardo Nunes (MDB), que busca a reeleição no ano que vem.
A deputada Delegada Adriana Accorsi (PT-GO) é pré-candidata à prefeitura de Goiânia, após ficar em 3.º lugar em 2020. No ano passado, a então deputada estadual organizou uma vaquinha para chegar à Câmara e convocou eleitores para uma “caminhada para reconstruir o Brasil”.
Delegada Adriana recebeu um total de R$ 1,1 milhão em recursos durante a corrida eleitoral de 2022. Do total, 94% saíram do fundo eleitoral – verba pública usada pelos partidos para bancar campanhas dos candidatos. A deputada arrecadou R$ 26,2 mil na vaquinha, segundo a prestação de contas apresentada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
O PL do ex-presidente Jair Bolsonaro tem pelo menos seis parlamentares em primeiro mandato cotados para disputar prefeituras de capitais. Mais votado de Mato Grosso do Sul, Marcos Pollon fez a campanha à Câmara atrelado à pauta armamentista.
Agora, ele tenta se viabilizar como o candidato da direita na disputa pela prefeitura de Campo Grande (MS). Se eleito prefeito, Pollon não terá atribuição constitucional de alterar ou criar leis pró-armas.
É a mesma situação do colega de Casa e de partido, deputado Sargento Gonçalves (RN). Durante a campanha para a Câmara, Gonçalves disse que era “urgente” ter representantes em Brasília comprometidos com a pauta armamentista.
Mas, menos de um ano depois, o político já se colocou à disposição do partido para concorrer à prefeitura de Natal (RN).
A deputada Duda Salabert (PDT-MG) quer ser prefeita de Belo Horizonte. Se o nome dela estiver mesmo nas urnas em 2024, Duda terá disputado três eleições em cinco anos. Eleita vereadora em 2020, largou o mandato na metade para concorrer à Câmara.
Também pretende disputar a capital mineira o deputado Pedro Aihara (Patriota), outro estreante na Câmara.
Ex-governador do Paraná e ex-prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB) mirou uma vaga na Câmara, em 2022, como espécie de “reabilitação política”, após ser atingido por acusações de corrupção. A decisão de concorrer era uma tentativa de se reerguer.
“Não posso deixar que a biografia da minha família seja interrompida da maneira dramática e injusta como foi. Então, penso em pelo menos um mandato que seja”, disse Richa em entrevista, em março de 2022. Após voltar a ter mandato, é lembrado como pré-candidato à prefeitura de Curitiba.
Pretendem ainda concorrer a prefeituras os deputados em primeiro mandato Zé Haroldo Cathedral (PSD-RR), Abílio Brunini (PL-MT), Carol Dartora (PT-PR), André Fernandes (PL-CE), Gustavo Gayer (PL-GO), Amom Mandel (Cidadania-AM), Ricardo Ayres (Republicanos-TO), Dr. Fernando Máximo (União BrasilRO), Tarcísio Motta (PSOLRJ), Alexandre Ramagem (PLRJ) e Duarte Jr. (PSB-MA). As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.
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