Quarta-feira, 14 de janeiro de 2026
Por Redação O Sul | 23 de maio de 2018
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul. O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.
O governo federal promete cortar impostos sobre a gasolina para tornar mais barato o preço nos postos. Acrescenta, porém, que precisará compensar, aumentando tributos em outras áreas. Nada estranho para um país submetido à camisa de força das despesas fixas e com déficit anual próximo de 200 bilhões de reais no orçamento, sem contar os 400 bilhões do pagamento de juros para rolar a dívida pública. Resultado da loucura de gastar, por décadas, muito mais do que arrecadou.
Terá vantagens
A candidatura de Henrique Meirelles, agora confirmada, terá pelos menos dois efeitos: 1º) conhece muito mais Economia do que os adversários e não responderá a perguntas sobre o setor com evasivas; 2º) será constrangedor para os candidatos de esquerda o ataque a quem foi escolhido por Lula para presidir o Banco Central por oito anos. Mais: como ministro da Fazenda, Meirelles em dois anos conduziu o processo que baixou a inflação e a taxa de juros.
Outro enfoque
O movimento dos caminhoneiros demonstra que uma greve nacional pode ocorrer sem que a categoria tenha uma liderança em busca de projeção. Dispensa a tradicional organização sindical com diretoria, cargos, dinheiro, carreirismo, sede e vínculos com partidos. Alguns políticos tentaram pegar carona e garantir votos, mas até agora se deram mal. A categoria parou por não suportar o preço do combustível e ponto final.
Exemplo para sempre
O jornalismo perdeu ontem o talento de Alberto Dines. No começo da década de 1970, eu costumava visitar a cada seis meses o Jornal do Brasil, no Centro do Rio de Janeiro, que ele dirigia. Saindo de Porto Alegre, passava cinco dias acompanhando a elaboração da edição, desde a manhã até a rodagem, no começo da madrugada. Um estágio informal que contava com a atenção e a generosidade de Dines. Em meados de 1973, ao chegar em sua sala, vi que esvaziava as gavetas. Perguntei para onde estava indo. “Desta vez, para rua, porque a direção se curvou a exigências do poder.” O Jornal do Brasil, que ele tinha elevado à condição de melhor do país, a partir daí começou a definhar.
Contraste
Até a década de 1980, lideranças de municípios protestavam quando distritos queriam se emancipar. Hoje, prefeitos e vereadores aplaudem a possibilidade de separação de algumas áreas. Com a crise, querem diminuir o território e as despesas.
Vantagem
Senadores da Bahia e do Mato Grosso do Sul, ontem, largaram na frente e ficarão com a presidência e a relatoria-geral do orçamento federal de 2019. É tradição que os estados com mais poder puxem a brasa para suas sardinhas. Restará ao Sul correr atrás.
Antes e depois
Redução de cargos em comissão tornou-se assunto para discursos inflamados durante as campanhas, fazendo surgir nos eleitores a falsa ilusão de austeridade. Conhecidos os resultados, os vencedores passam a ter súbita amnésia.
Em baixa
O Rio de Janeiro já não está só. Minas Gerais tem dois ex-governadores, Eduardo Azeredo e Aécio Neves, mais o atual, Fernando Pimentel, enrolados em processos criminais.
Radiografia
Na Venezuela, que tem a maior reserva de petróleo do mundo, as condições da população são as piores: 61 por cento vivem na pobreza extrema. Há escassez de água, falta de produtos nos supermercados e racionamento de energia e gás. Mais de 500 mil se refugiaram na Colômbia e 40 mil vieram para o Brasil. O ditador Nicolás Maduro se manterá no poder por mais seis anos, após a eleição fraudulenta de domingo. A única certeza é que seu populismo levará o país à falência sem volta.
Acontece
A todo o começo de campanha eleitoral, há uma divisão inevitável: de um lado, os chatos e de outro os chateados.
Esta coluna reflete a opinião de quem a assina e não do Jornal O Sul.
O Jornal O Sul adota os princípios editoriais de pluralismo, apartidarismo, jornalismo crítico e independência.