Quarta-feira, 04 de novembro de 2026
Por Redação O Sul | 3 de novembro de 2026
O rei Charles III afirmou, nessa terça-feira (3), que o comércio transatlântico de escravizados foi “uma monstruosa injustiça”. A declaração foi feita durante uma cúpula em Antígua e Barbuda com líderes de países da Commonwealth.
“Esse vergonhoso capítulo da história enche meu coração de horror e minha alma da mais profunda tristeza pessoal”, declarou o monarca de 77 anos, em sua última parada de uma viagem de nove dias pelo Caribe.
Embora já tenham sido expressas manifestações de pesar pelo papel central desempenhado pelo Reino Unido na escravidão, nenhum monarca britânico apresentou até agora desculpas oficiais. Londres sempre rejeitou a ideia de uma compensação financeira.
Em 2022, uma viagem pelo Caribe do príncipe herdeiro William e de sua esposa, Catherine, terminou em fiasco, com manifestações hostis à monarquia e apelos pelo pagamento de indenizações.
Antes de Antígua e Barbuda, Charles III visitou as Bahamas, no Caribe, e a Guiana, na costa da América do Sul.
A Commonwealth é uma associação voluntária de 56 países independentes, em sua maioria antigos territórios do Império Britânico, que mantêm vínculos históricos com o Reino Unido.
A reunião bienal dos chefes de governo da Commonwealth é realizada até esta quarta-feira.
O Commonwealth é um grupo voluntário, em grande parte simbólico, composto principalmente por antigas colônias britânicas. Algumas delas ainda reconhecem Charles como chefe de Estado em caráter cerimonial, mas muitas se tornaram repúblicas. Durante a reunião dos líderes, ele enfrentará novos apelos, inclusive da secretária-geral do Commonwealth, Shirley Ayorkor Botchwey, por uma discussão franca sobre questões delicadas.
“Estamos pedindo um diálogo baseado na decência”, disse na semana passada o presidente da Comissão de Reparações da Comunidade do Caribe (Caricom), Hilary Beckles, durante uma entrevista coletiva antes da visita do rei.
“Faço um apelo a Charles Windsor, um pai, um avô”, disse Beckles, que também é vice-reitor da Universidade das Índias Ocidentais.
“Ele pode ver o enriquecimento que a escravidão proporcionou à sua família. Pode ver que a riqueza que está transmitindo a seus filhos e netos surgiu inteiramente de quantias significativas geradas por esse processo de transformação dos africanos em propriedade.”
O historiador Ed Owens, que escreve sobre a monarquia britânica, afirmou que a visita do rei ao Caribe é, por sua própria natureza, delicada, devido ao legado do colonialismo e da exploração na região.
Cerca de três milhões de africanos escravizados foram transportados em navios britânicos pelo Atlântico nos séculos 18 e 19 para trabalhar em plantações coloniais. Tentativas de rebelião foram brutalmente reprimidas.
“A dominação britânica e o poder branco sobre esses povos de cor” nos séculos passados ainda pairam sobre a monarquia, disse Owens. “A branquitude da instituição é o problema. Ela continua sendo um símbolo da supremacia branca britânica.” As informações são da agência de notícias AFP.
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