Sábado, 24 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 4 de julho de 2023
Ao assumir a presidência temporária do Mercosul, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse, nessa terça-feira (4), que tem uma agenda externa ambiciosa para o bloco, na ampliação de mercados para exportação dos produtos locais. Ele reafirmou que as condições impostas pela União Europeia (UE) para o acordo de livre comércio com o Mercosul são inaceitáveis e que está comprometido com a conclusão de um tratado equilibrado e que assegure o espaço necessário para adoção de políticas públicas “em prol da integração produtiva e da reindustrialização”. Lula propôs que o Mercosul dê uma resposta “rápida” e “contundente” à Europa.
Lula voltou a frisar que o tratado será uma das prioridades do Brasil na presidência temporária do bloco, mas pontuou que o texto precisa de revisão, especialmente no que diz respeito às sugestões apresentadas pelos europeus no início deste ano.
“Estou comprometido com a conclusão do acordo com a União Europeia, que deve ser equilibrado e assegurar o espaço necessário para adoção de políticas públicas em prol da integração produtiva e da reindustrialização. O Instrumento Adicional apresentado pela União Europeia em março é inaceitável. Parceiros estratégicos não negociam com base em desconfiança e ameaça de sanções”, afirmou.
“É inadmissível abrir mão do poder de compra do Estado – um dos poucos instrumentos de política industrial que nos resta. Não temos interesse em acordos que nos condenem ao eterno papel de exportadores de matérias-primas, minérios e petróleo”, ressaltou.
Para Lula, o comércio entre integrantes do Mercosul, que em 2022 somou US$ 46 bilhões, tem grande margem para melhora, especialmente por ser composto por produtos de valor agregado. Ele citou que, em 2011, o total chegou a US$ 52 bilhões. A adoção de uma moeda de referência para o comércio regional – sem eliminar as moedas nacionais – ajudaria a ampliar o volume. O presidente também afirmou que quer ampliar e aprimorar acordos comerciais já existentes com outros países sul-americanos, como Chile, Colômbia, Equador e Peru.
Lula afirmou também que deseja avançar nos acordos que estão sendo negociados pelo Mercosul com Canadá, Coreia do Sul e Singapura. E deseja explorar novas frentes de negociação com China, Indonésia, Vietnã e países da América Central e Caribe. Isso, segundo ele, é essencial para derrubar barreiras ao comércio internacional, como o protecionismo.
“Só a unidade do Mercosul, da América do Sul e da América Latina e do Caribe nos permitirá retomar o crescimento, combater as desigualdades, promover a inclusão, aprofundar a democracia e garantir nossos interesses em um mundo em transformação”.
Lula recebeu do presidente Alberto Fernández, da Argentina, a presidência temporária do Mercosul nessa terça-feira, durante a 62ª Cúpula de Chefes de estado do bloco sul-americano em Puerto Iguazú (Argentina). Em seu discurso, Lula defendeu a união entre os países vizinhos como forma de enfrentar os desafios contemporâneos.
“O mundo está cada vez mais complexo e desafiador. Nenhum país resolverá seus problemas sozinho, nem pode permanecer alheio aos grandes dilemas da humanidade. Não temos alternativa que não seja a união. Frente à crise climática, é preciso atuar coordenadamente na proteção de nossos biomas e na transição ecológica justa”, exemplificou o presidente. “Em um mundo cada vez mais pautado pela competição geopolítica, nossa opção regional deve ser a cooperação e a solidariedade.”
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