Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de maio de 2021
O relator da CPI da Covid, senador Renan Calheiros (MDB-AL), chamou o ato promovido pelo presidente Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro no último domingo (23) de “procissão em louvor ao vírus” e “declaração de guerra ao SUS [Sistema Único de Saúde]” .
Bolsonaro comandou na cidade um passeio com motociclistas, que gerou aglomeração nas ruas. Sem máscara, Bolsonaro cumprimentou e tocou diversos apoiadores, que também estavam sem o aparato de proteção, infringindo norma local para conter o avanço da covid-19.
“A prioridade é barrar a pandemia, mas Bolsonaro rema para trás. A procissão no Rio em louvor ao vírus é declaração de guerra ao SUS”, escreveu Renan Calheiros em uma rede social. O relator da CPI afirmou ainda que o governador do Rio, Cláudio Castro, terá de explicar a “molecagem com dinheiro público”.
O Rio destacou, por exemplo, centenas de policiais para atuarem na segurança da manifestação.
O ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello também compareceu ao evento. Sem máscara, o general do Exército, na ativa, subiu em um carro de som e, ao lado de Bolsonaro, fez um breve discurso.
A participação do ex-ministro se deu poucos dias após ele ter prestado depoimento à CPI da Covid. Aos senadores, Pazuello se disse favorável às medidas de distanciamento social e ao uso de máscara.
“Pazuello pisoteia disciplina e hierarquia e ri a céu aberto”, disse Renan Calheiros nesta segunda-feira (24). “A CPI terá muito assunto”, adicionou.
A ida de Pazuello ao evento gerou polêmica. Pelas regras do Exército, militares da ativa não podem participar de atos políticos. O vice-presidente Hamilton Mourão, general da reserva, disse que Pazuello entende que errou ao ir à manifestação.
Punição
Pazuello deve ser punido por ter participado de ato político em favor do presidente Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro. A interlocutores, colegas de farda e até superiores hierárquicos, ele admitiu que cometeu “um erro” ao subir no palanque no Monumento aos Pracinhas do ex-chefe. Pazuello transgrediu o Regulamento Disciplinar do Exército (RDE) que proíbe a manifestação política de militares da ativa sem a autorização prévia dos seus superiores.
Militares deixaram claro o descontentamento da cúpula do Exército com a ida de Pazuello ao Rio. O general estava em Brasília e viajou à capital fluminense ao lado do presidente no avião da Força Aérea que levou a comitiva do governo. A única agenda de Bolsonaro na cidade era um passeio de motocicleta com apoiadores.
Apesar da carona, vista como o primeiro erro, a avaliação era de que o ex-ministro da Saúde poderia ter passado despercebido se não tivesse decidido ir até ao Monumento dos Pracinhas, no Aterro do Flamengo, e subir no carro de som contratado por apoiadores do governo para Bolsonaro e outros políticos discursarem. O general, mesmo falando muito pouco, estava em um ato político.
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