Quinta-feira, 01 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 24 de maio de 2021
A China acusou os Estados Unidos de promoverem a teoria de que o novo coronavírus teria escapado por acidente de um laboratório de alta segurança em Wuhan, um dia depois de o jornal The Wall Street Journal, citando um suposto relatório da Inteligência americana, afirmar que três pesquisadores do Instituto de Virologia de Wuhan procuraram atendimento médico em novembro de 2019, um mês antes de Pequim relatar os primeiros casos da covid-19.
O jornal disse que o relatório, feito ainda no governo de Donald Trump, forneceria detalhes como o número de pesquisadores que adoeceram, o momento de suas doenças e suas visitas a médicos, o que pode fortalecer os pedidos de uma investigação mais ampla sobre a origem do coronavírus. O relatório, no entanto, não teria podido concluir que esses cientistas tiveram a covid-19.
Ainda segundo o Wall Street Journal, funcionários antigos e atuais, familiarizados com o relatório, deram opiniões diferentes sobre a força das indícios em que o documento se baseia. Um deles, que não foi identificado, disse que uma “investigação adicional e uma confirmação adicional” seriam necessárias. Outro, no entanto, descreveu o relatório como forte.
“As informações que recebíamos de várias fontes eram de excelente qualidade. Foi muito preciso. Mas o que eles não dizem é por que exatamente eles ficaram doentes”, disse um dos funcionários consultados, segundo o Wall Street Journal, referindo-se aos pesquisadores que teriam adoecido.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Zhao Lijian, disse nesta segunda-feira que é “completamente falso” que três membros da equipe do instituto tenham ficado doentes no período citado.
“Os Estados Unidos continuam a espalhar a teoria do vazamento do laboratório”, disse ele. “Mas os EUA de fato se preocupam em estudar a origem do vírus ou estão apenas tentando desviar a atenção?”
Primeiros casos
Os primeiros casos da covid-19 foram relatados em meados dezembro de 2019 em Wuhan, onde está localizado o laboratório especializado na pesquisa de vírus que surgem em animais e eventualmente podem ser transmitidos a humanos. O laboratório é de segurança máxima, e já realizou parcerias com cientistas dos Estados Unidos e de outros países.
Autoridades e cientistas chineses têm rejeitado a hipótese de que o vírus pudesse ter escapado do laboratório por acidente. A teoria começou a ser propagada por autoridades americanas no governo Trump.
Um relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS) divulgado em março após estudos na China afirmou que a hipótese mais provável é que o coronavírus tenha passado de morcegos para o homem por meio de um animal intermediário, mas ressaltou que são necessários mais estudos sobre sua origem e que nenhuma hipótese pode ser descartada.
Nesta semana, em sua assembleia anual, a OMS deve deliberar sobre a próxima fase de sua investigação sobre as origens da covid-19.
A porta-voz da Casa Branca, Jen Psaki, não quis confirmar se o relatório citado pelo Wall Street Journal é verdadeiro.
“Não temos informação suficiente para tirar uma conclusão sobre as origens do coronavírus. Por isso precisamos de uma investigação independente e é isso que estamos pedindo”, disse ela, acrescentando que o governo americano está trabalhando com a OMS e outros países-membros da organização para apoiar uma avaliação das origens da pandemia “que esteja livre de interferência ou politização”.
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