Terça-feira, 29 de setembro de 2026

Porto Alegre
Porto Alegre, BR
18°
Light Rain

CADASTRE-SE E RECEBA NOSSA NEWSLETTER

Receba gratuitamente as principais notícias do dia no seu E-mail.
cadastre-se aqui

RECEBA NOSSA NEWSLETTER
GRATUITAMENTE

cadastre-se aqui

Economia Remessas de brasileiros nos Estados Unidos para familiares no Brasil caem até 90%

Compartilhe esta notícia:

Os migrantes mandam dólares para ajudar a família nas despesas, investir em negócios ou mesmo comprar ou construir imóveis. (Foto: Getty Images)

Muito antes que a cidade mineira de Governador Valadares tivesse seu primeiro caso de coronavírus confirmado, em 24 de março, os impactos da crise da Covid-19 já se faziam sentir por lá. Proporcionalmente, Valadares é um dos municípios brasileiros que mais enviou nativos aos Estados Unidos na história da migração entre os dois países: quatro em cada cinco chefes de família na cidade mineira tem algum parente morando em terras americanas.

O resultado disso — hoje, há cerca de 40 mil valadarenses no país — tem sido um intenso fluxo de dinheiro de regiões dos EUA, como a área metropolitana de Boston, Massachussets, para Valadares nos últimos 40 anos: os migrantes mandam dólares para ajudar a família nas despesas, investir em negócios ou mesmo comprar ou construir imóveis.

A crise do coronavírus, no entanto, praticamente interrompeu esse fluxo. É o que mostra um levantamento feito pela Prefeitura de Valadares a pedido da BBC News Brasil. A agência local do Banco do Brasil, em fevereiro, registrou um total de 45 ordens de pagamento dos Estados Unidos, que somaram um valor de R$ 911 mil remetidos à cidade. Em março, embora o número de ordens tenha sido quase o mesmo (43), o valor acumulado despencou para R$ 82 mil (uma queda de 90%). E nos primeiros 15 dias de abril, o movimento bancário indicava uma retração ainda mais profunda: apenas seis transferências tinham sido executadas, no valor total de R$ 14 mil.

“O que nos dizem é que a tendência é que as remessas continuem caindo até a retomada da atividade econômica (nos Estados Unidos)”, afirma o secretário de Desenvolvimento do município, Hilton Manoel.

Os Estados Unidos tiveram seu primeiro caso da doença dois meses antes de Valadares. Em meados de março, enquanto os valadarenses começavam a se informar sobre o tema, grandes cidades americanas, como Boston e Nova York, já estavam em quarentena, com comércios fechados e atividades econômicas paralisadas.

Sem trabalho e, em alguns casos, sem dinheiro nem mesmo para comer, os migrantes tiveram que reduzir drasticamente o envio dos dólares ao Brasil.

E a redução foi percebida não só nos bancos mas também, com diferenças de magnitude, pelas empresas financeiras especializadas em remessas.

“A agência Brazuca, correspondente da Western Union na cidade, confirmou uma queda de 10% do número de pedidos de remessas para Valadares. Já a LP Câmbio e Turismo, correspondente da agência MoneyGram, relata queda de aproximadamente 85% no volume de transferências dos EUA para a cidade”, diz o secretário Manoel.

Valadares é representativa do que tem acontecido no resto do Brasil em relação às remessas do exterior.

Em 2019, o dinheiro enviado pelos migrantes representou quase US$ 3 bilhões, ou 0,2% do Produto Interno Bruto do país. É pouco, quando se leva em conta que remessas somaram 17% do PIB em El Salvador, ou quase 3% do PIB no México. “Mas é um valor que cresceu 15% de 2018 a 2019 e que tem um impacto muito importante localmente”, diz Manuel Orozco, presidente do think tank InterAmerican Dialogue. “É certamente um dinheiro muito relevante quando se pensa no número de pessoas diretamente impactadas por esses recursos”, completa.

As estimativas dão conta de que entre 50% e 80% da comunidade de 1,2 milhão de brasileiros nos EUA enviem dinheiro regularmente para parentes e amigos no Brasil. De acordo com Orozco, cada migrante ajuda, em média, 1,2 famílias. Isso significa que entre 720 mil e 1,1 milhão de famílias recebem periodicamente recursos do exterior, diretamente injetados na economia doméstica.

Entre os latinos, os brasileiros são também os que mandam em média os valores mais altos de volta a seus países.

Mas, com mais de 30 milhões de pessoas oficialmente desempregadas e uma retração econômica de quase 5% no primeiro trimestre de 2020, os Estados Unidos têm sentido com força os efeitos da recessão causada pela epidemia.

“Talvez os maiores prejudicados sejam os milhões de imigrantes, muitos sem status legal. Essas pessoas costumam trabalhar em empregos que as expõem ao risco de contágio, têm pouco ou nenhum acesso a cuidados médicos e não podem obter acesso aos recursos financeiros disponíveis a cidadãos demitidos ou residentes legais do governo dos EUA”, diz Paolo Pasquariello, professor de finanças na Universidade de Michigan. As informações são da BBC News.

Compartilhe esta notícia:

Voltar Todas de Economia

Deixe seu comentário

Os comentários estão desativados.

O Instituto Butantan, em São Paulo, pesquisa uma nova vacina para o coronavírus
As melhores frases de Aldir Blanc: “Sou rigorosamente ateu, cético, cínico e escroto, nessa ordem”
Pode te interessar