Sexta-feira, 22 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 5 de setembro de 2021
A crise energética provocada pela falta de chuvas e a consequente baixa dos reservatórios das hidrelétricas deve ter como principal efeito em 2021 o aumento da conta de luz, impacto que já chegou ao bolso dos brasileiros e encarece a produção no Brasil.
Já o racionamento no fornecimento de eletricidade não deve ocorrer e o risco de apagões pontuais determinados pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) em momentos de picos de consumo existe, mas parece baixo para este ano.
Essa é a avaliação da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq). Em entrevista à imprensa, o presidente da entidade, José Velloso, explicou que sua preocupação maior é com 2022, quando a expectativa é de que as chuvas continuem abaixo da média histórica devido ao fenômeno climático El Niña.
“O ano de 2022 é preocupante, mas dá tempo de trabalhar”, acredita, ressaltando a importância de se aperfeiçoar a distribuição de energia no País, para evitar que sobre em uma região e falte em outra.
Outras medidas para mitigar os riscos de apagões no próximo ano passam por acelerar projetos de pequenas centrais hidrelétricas já em curso, assim como os investimentos em geradores de energia solar e eólica, defende.
Ainda segundo ele, o racionamento não deve ocorrer como na crise de 2001, justamente porque o país adotou medidas para evitar o cenário de 20 anos atrás.
De um lado, ampliou a interligação do sistema elétrico para evitar que falte energia em algumas regiões enquanto sobra em outras. Por outro, aumentou a oferta de fontes de energia alternativas às hidrelétricas, em especial as térmicas.
A medida dá mais segurança ao fornecimento, mas tem o efeito colateral de aumentar a conta de luz, já que a energia termelétrica é mais cara.
A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) anunciou essa semana uma nova modalidade de bandeira tarifária, intitulada “Escassez Hídrica”, com valor de R$ 14,20/100 kWh, que entrou em vigor na quarta-feira (01/09) e terá validade até 30 de abril de 2022.
O Ministério de Minas e Energia estimou que a nova bandeira gerará aumento de 6,78% na tarifa de luz para os consumidores. Mesmo antes dessa nova tarifa, a conta de luz já ficou 16% mais cara neste ano, até meados de agosto, segundo o IPCA-15, índice de preços do IBGE que é uma prévia do IPCA.
“A crise energética é preocupante. Já aumentou o custo Brasil e isso aumenta a assimetria entre os produtos produzidos aqui e no exterior”, lamenta Velloso.
Apesar disso, para o setor de máquinas e equipamentos, a crise tem também um lado de oportunidade de negócios, ao ampliar as vendas de geradores de energia eólica e termelétrica, ressalta o presidente da Abimaq.
Esse é um dos fatores que contribuíram para um forte crescimento do setor no primeiro semestre de 2021, com alta de 34% do faturamento em relação ao mesmo período de 2020.
O resultado, porém, é em boa parte explicado pelo desempenho muito ruim entre 2015 e 2019, seguido de pequeno crescimento no ano passado, o que gerou uma base baixa de comparação, explica Velloso.
No fechamento do ano, a expectativa é que o crescimento deve continuar alto, mas a taxa acumulada deve arrefecer para 20%. Um desempenho menor também é esperado para 2022, mas a Abimaq ainda não fez uma projeção.
A compra de máquinas e equipamentos tem sido puxada por setores como o agronegócio, saneamento básico e embalagens (plástico, papel, celulose), esse último refletindo o aumento do consumo em casa, com compras online ou por aplicativos, devido à pandemia.
Crise política
Embora se mantenha otimista, Velloso diz que o setor tem sentido o impacto do forte aumento do preços de matéria-prima, como aço, vidro, borracha, plástico, bronze e cobre, o que reduz a rentabilidade das empresas.
Ele também manifesta preocupação com o impacto da instabilidade política nos planos de investimento do setor produtivo, o que pode desencorajar demanda por máquinas e equipamentos.
“Nosso país tem tudo pra ter um crescimento sustentável da sua economia, mas muitas vezes aquilo que vem de fora da economia pode prejudicar. Então, o que a gente gostaria é que tivesse paz no país”, disse, ao ser questionado sobre a crise política que o Brasil atravessa, com especial tensão entre o governo de Jair Bolsonaro e o Poder Judiciário.
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