Terça-feira, 02 de junho de 2026
Por Redação O Sul | 2 de junho de 2026
Entre janeiro e março deste ano, 173.166 trabalhadores solicitaram desligamento de seus empregos no Estado
Foto: ReproduçãoO Rio Grande do Sul registrou uma redução de 8% nos desligamentos da modalidade a pedido no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior. Entre janeiro e março deste ano, 173.166 trabalhadores solicitaram desligamento de seus empregos no Estado.
O valor representa 42% de todos os desligamentos registrados no Estado. Os dados fazem parte do levantamento elaborado pela Seção de Informação e Pesquisa do Departamento de Relações com o Mercado de Trabalho da Fundação Gaúcha do Trabalho e Ação Social, com base no Novo Caged do Ministério do Trabalho e Emprego.
Apesar da queda em relação ao ano anterior, os desligamentos a pedido seguem sendo o tipo de desligamento mais frequente no mercado formal gaúcho, cenário observado desde 2024 nos primeiros trimestres.
Em 2025, as demissões a pedido representavam 45% do total de desligamentos; em 2026, passaram para 42%. A pesquisa aponta aumento dos desligamentos por justa causa no período, que cresceram 18% na comparação entre os primeiros trimestres de 2025 e 2026. Enquanto os desligamentos sem justa causa permaneceram praticamente estáveis.
O secretário de Trabalho e Desenvolvimento Profissional, José Scorsatto, afirmou que, embora o saldo de empregos siga positivo, os desligamentos voluntários continuam sendo um sinal de atenção para o mercado de trabalho.
“Quando o trabalhador pede para sair espontaneamente, abrindo mão do seguro-desemprego e do saque do FGTS, isso pode indicar que ele encontrou uma nova oportunidade ou está migrando para outras formas de atividade econômica, como o empreendedorismo ou até para a informalidade”, disse.
O titular da pasta destacou ainda que os dados devem servir de reflexão para as empresas, especialmente nos setores com maior rotatividade. “As empresas precisam avaliar a forma como estão recebendo e conduzindo seus profissionais. Quando o trabalhador opta por sair voluntariamente, isso demonstra, muitas vezes, insatisfação com o ambiente ou as condições de trabalho. É importante fortalecer estratégias de retenção e comprometimento para manter os empregados por mais tempo”, completou.
Perfil dos desligamentos
Os desligamentos a pedido são mais frequentes entre as mulheres, embora a diferença entre os sexos tenha diminuído em comparação aos primeiros trimestres de 2023, 2024 e 2025. O levantamento também aponta que trabalhadores com maior escolaridade apresentam participação proporcionalmente mais elevada nos pedidos de demissão voluntária, especialmente entre aqueles com Ensino Médio completo e Ensino Superior.
Os dados mostram ainda que os desligamentos a pedido se concentram entre os mais jovens. Trabalhadores de 18 a 24 anos representam 29% do total, enquanto aqueles entre 25 e 29 anos correspondem a 18%. Em relação aos setores econômicos, os pedidos ocorrem principalmente no setor de serviços, responsável por 38% dos desligamentos a pedido, seguido pela indústria, com 23%.
Segundo a análise da pesquisa, o aumento dos desligamentos a pedido observado nos últimos anos pode indicar maior espaço de negociação dos trabalhadores no mercado de trabalho. Já a redução registrada em 2026 pode sinalizar mudanças no cenário econômico ou maior satisfação dos trabalhadores com suas posições atuais.
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