Quinta-feira, 29 de outubro de 2026
Por Redação O Sul | 25 de agosto de 2021
A vice-presidente americana Kamala Harris, em sua segunda viagem internacional no papel, teve um gostinho da rivalidade cada vez maior entre os Estados Unidos e a China enquanto voava para o Vietnã — um ex-adversário dos EUA cauteloso com o crescente domínio de Pequim que está sendo cortejado por Washington.
Kamala estava a caminho nesta quarta-feira (25) para anunciar, entre outras coisas, uma doação de 1 milhão de doses de vacina contra o coronavírus para o país atingido pela pandemia. Mas um atraso de três horas em sua programação deu à China uma janela de oportunidade.
Pequim rapidamente mandou seu enviado a Hanói para se encontrar com o primeiro-ministro do Vietnã e prometeu uma doação de 2 milhões de doses de vacina, minando o anúncio subsequente dos EUA. O primeiro-ministro Pham Minh Chinh, agradecendo ao enviado, disse que o Vietnã “não se alia a um país para lutar contra outro”, segundo a mídia estatal.
O incidente ressaltou os desafios enfrentados pelo governo Biden enquanto Kamala fazia seu caminho pelo sudeste da Ásia esta semana, junto com a sensibilidade chinesa sobre sua visita. A agenda de Washington nem sempre se alinha com a dos governos da região, que enfrentam uma ação diplomática de alta pressão para equilibrar os interesses concorrentes dos Estados Unidos e da China — sendo este último o principal parceiro comercial do Vietnã.
“Pequim gosta de lembrar a Hanói quem, dos dois gigantes, está mais perto dele”, disse Huong Le Thu, analista sênior do Australian Strategic Policy Institute.
Pendurados à viagem, estão o colapso caótico do governo afegão e questões resultantes sobre o compromisso de Washington com seus aliados. A China aproveitou a turbulência para insultar os Estados Unidos e classificá-los como um parceiro não confiável. Mas Pequim também teme as propostas americanas para o Vietnã, uma nação de rápido crescimento de 100 milhões de habitantes, com a qual tem reivindicações territoriais concorrentes no Mar do Sul da China.
Receio
Embora o Vietnã queira que os Estados Unidos sejam mais fortes na resistência à militarização, por parte da China, da disputada hidrovia, alguns líderes vietnameses hesitam em ser vistos como parte de um esforço liderado por Washington para combater seu vizinho, disse Le Thu.
Pelo segundo dia consecutivo, Kamala acusou a China de agressão no Mar do Sul da China. Falando em uma reunião em Hanói com Nguyen Xuan Phuc, presidente do Vietnã, Kamala disse que era necessário “aumentar a pressão” sobre as ações de Pequim “e desafiar sua intimidação e reivindicações marítimas excessivas”.
O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin, respondendo a uma pergunta sobre o apoio de Washington ao Vietnã no Mar da China Meridional, disse que os Estados Unidos “arbitrariamente lançaram uma intervenção militar no Afeganistão, Iraque e Síria, enquanto afirmavam defender os interesses de países menores”.
“Acho que seria muito mais confiável se os EUA dissessem que estão tentando manter sua hegemonia e defender seus próprios interesses”, disse ele.
Reivindicações
Vários países reivindicam sobreposição de territórios em águas ricas em recursos, uma fonte de tensão que dura décadas. Um tribunal internacional em 2016 rejeitou as reivindicações de Pequim de uma área demarcada por uma linha de nove traços, mas a China afirmou seu controle construindo pistas e outras instalações militares em ilhas disputadas, gerando protestos de seus vizinhos.
Os Estados Unidos contestaram as reivindicações chinesas por meio de operações navais de liberdade de navegação, observando a necessidade de salvaguardar os bilhões de dólares em comércio que fluem pelas rotas marítimas que conectam o Leste Asiático ao Oceano Índico.
Kamala também falou sobre a elevação da relação entre o Vietnã e os Estados Unidos para uma “parceria estratégica” e anunciou a doação de doses de vacina contra o coronavírus, que ela disse que começariam a chegar nas próximas 24 horas. Ela também depositou flores em um memorial em Hanói ao falecido senador John McCain, que como piloto da Marinha foi abatido e capturado pelas forças do Vietnã do Norte durante a Guerra do Vietnã.
Em encontros em Cingapura e Vietnã esta semana, Kamala prometeu compromisso dos EUA com o Indo-Pacífico, que ela rotulou de “prioridade máxima” para a administração Biden. Analistas viram sua viagem, principalmente contra o caos que se desenrolava no Afeganistão, como uma forma de provar que o governo está voltando a se concentrar na região e em uma estratégia mais ampla de combate à China.
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