Quinta-feira, 24 de Setembro de 2020

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Mundo Robôs e drones serão essenciais para a reconstrução da catedral de Notre-Dame

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Porta-voz de empresa nega culpa de operários em incêndio que devastou parte da igreja gótica. (Foto: Reprodução)

Quando as primeiras imagens de destroços dentro da catedral de Notre-Dame apareceram, na terça-feira (16), em Paris, engenheiros pelo mundo afora disseram que uma observação já estava clara: para restaurar a estrutura a seu passado glorioso será preciso recorrer a uma tecnologia de vanguarda.

Antes mesmo de os engenheiros terem acesso aos cantos mais ocultos da catedral, especialistas em design, preservacionistas históricos e engenheiros começavam a debater quais tecnologias podem ser usadas para restaurar uma das estruturas mais icônicas da Europa e um patrimônio mundial da Unesco.

O esforço de reconstrução provavelmente vai aproveitar conhecimentos adquiridos em catástrofes como o desastre nuclear de Fukushima, no Japão, e o incêndio no Museu Nacional brasileiro, onde robôs experimentais e ferramentas digitais foram empregados para ir a lugares onde os humanos não podem se aventurar em segurança.

“Como casar tecnologias novíssimas do século 21 com artesanato antigo e técnicas de construção do passado de modo a manter a catedral preservada e viva?”, indagou Katherine Malon France, diretora interina de preservação da Fundação Nacional de Preservação Histórica, de Washington. “Será uma intersecção muito interessante de tecnologia e trabalho artesanal”, completou.

Algumas dessas tecnologias já foram vistas. Quando as chamas devoraram o teto da catedral e centenas de bombeiros montaram seu contra-ataque, máquinas high-tech já tinham sido trazidas para participar do esforço. Dois drones de fabricação chinesa equipados com câmeras de alta definição – o Mavic Pro e o Matrice M210, fabricados pela DJ1– sobrevoaram a catedral e ajudaram os bombeiros a posicionar as suas mangueiras para conter as chamas antes de elas destruírem os dois campanários.

“Foi graças a esses drones que pudemos fazer as escolhas táticas para conter o incêndio”, disse o porta-voz do Corpo de Bombeiros de Paris, Gabriel Plus. No chão, um robô extintor de incêndios, o Colossus, jorrou água sobre a nave, reduzindo a temperatura do recinto repleto de vidro.

Uma maneira de começar será usar outros drones para examinar pontos dentro da catedral perigosos ou danificados demais para serem alcançados pelos engenheiros.

Jerry Hajjar, professor de engenharia civil na Universidade Northeastern, disse que drones podem ser equipados com sensores – como pequenas câmeras ou scanners a laser – que permitam documentar os danos e criar imagens tridimensionais altamente precisas de pontos específicos dentro da catedral.

Outros sensores podem “olhar” dentro das paredes da catedral e estimar as propriedades mineralógicas da estrutura e o grau de estresse ao qual está submetida.

Outro método para testar a integridade da catedral pode envolver robôs, disse Hajjar, explicando que já há pesquisas para o uso de robôs escaladores para inspecionar e reparar pontes de aço.

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