Sexta-feira, 13 de março de 2026
Por Gisele Flores | 11 de março de 2026
Presidente Claudio Bier (ao centro) no debate do SIMERS e Invest/RS
Foto: Dudu Leal
Na Expodireto Cotrijal, em Não-Me-Toque, o painel promovido por FIERGS, Simers e InvestRS deixou evidente que o Rio Grande do Sul está diante de uma oportunidade singular. O acordo Mercosul–União Europeia, previsto para entrar em vigor em 2026, pode reposicionar o estado como protagonista na integração econômica e tecnológica entre América do Sul e Europa. Mais do que abrir mercados, trata-se de redesenhar o papel da indústria gaúcha de máquinas agrícolas em um cenário global em transformação.
O setor já possui uma base sólida: são 566 indústrias de máquinas agrícolas, responsáveis por mais de 30 mil empregos e exportações anuais de US$ 551 milhões, com forte presença na Argentina, Paraguai e Estados Unidos. A qualificação da mão de obra e a modernização tecnológica são apontadas como diferenciais para atrair investimentos europeus. Além disso, a agricultura sustentável brasileira, cada vez mais valorizada, fortalece a imagem do RS como fornecedor de soluções verdes — um fator decisivo para consumidores europeus que exigem práticas ambientais responsáveis.
O acordo também abre espaço para diversificação. Atualmente, a União Europeia responde por apenas 4,17% das exportações gaúchas de máquinas agrícolas, mas a ampliação das cotas de arroz e outros produtos agrícolas tende a dinamizar a produção no campo e, por consequência, estimular a demanda interna por máquinas e implementos. Esse movimento pode atrair novas indústrias ao estado, gerando empregos e consolidando o RS como hub tecnológico do agronegócio.
O contexto internacional favorece essa transição. A guerra entre Rússia e Ucrânia reduziu a oferta de máquinas agrícolas no Leste Europeu, criando espaço para o Brasil ocupar nichos estratégicos. Ao mesmo tempo, a melhora das condições econômicas na Argentina e o crescimento no Paraguai reforçam o ambiente regional. Por outro lado, há desafios: incertezas tarifárias nos Estados Unidos e a alta nos preços de petróleo e fertilizantes, agravada pelo conflito no Oriente Médio, podem pressionar custos e reduzir margens de competitividade.
Para transformar potencial em realidade, será necessário enfrentar o chamado Custo Brasil. Investimentos em infraestrutura, desburocratização e segurança jurídica são apontados como condições essenciais para que o RS aproveite plenamente o acordo. A indústria gaúcha também terá de se adequar a padrões internacionais de qualidade e sustentabilidade, exigidos pelo mercado europeu, o que implica em certificações e inovação contínua.
Em síntese, o painel da Expodireto mostrou que o Rio Grande do Sul reúne capital humano, base industrial e vocação agrícola para transformar o acordo Mercosul–UE em oportunidade histórica. Mais do que ampliar exportações, trata-se de reposicionar o estado como protagonista na integração econômica e tecnológica entre América do Sul e Europa. Se conseguir reduzir entraves internos e aproveitar as brechas abertas pela conjuntura internacional, o RS poderá consolidar-se como referência global em inovação agrícola e sustentabilidade. (Por Gisele Flores – gisele@pampa.com.br)
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