Sábado, 30 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 9 de agosto de 2021
Os ruídos entre Rodrigo Pacheco (DEM-MG) e Arthur Lira (PP-AL) não se restringem à “agenda bolsonarista”. Um dia antes de a MP do Ambiente de Negócios caducar no Senado, o presidente da Casa acatou 69 emendas ao texto e o devolveu para a Câmara. Lira ignorou tudo e, com apoio dos líderes de bancada, colocou em votação o original aprovado por ele e seus colegas.
A interlocutores, o presidente da Câmara tem reclamado da forma como o Senado trata as matérias recebidas dos deputados: com lentidão e ainda apontando “jabutis”.
Além da MP, a lentidão do Senado em projetos sobre o reconhecimento da educação como atividade essencial na pandemia e as novas regras do licenciamento ambiental, por exemplo, também têm incomodado Arthur Lira.
No entorno de Pacheco, senadores reclamam da forma como o presidente da Câmara têm “tratorado” pautas importantes, sobretudo na volta dos trabalhos após o recesso.
Citado como presidenciável, Pacheco busca conferir “personalidade”, segundo um aliado dele, à gestão na presidência.
Pacheco disse que a decisão de Lira feriu a soberania do Senado e chegou a convidar o presidente da Câmara para um papo na última sexta-feira (6), mas desmarcou a conversa.
Um colega de Pacheco avalia que o estilo mineiro prevaleceu: o presidente do Senado costuma reagir somente quando a corda está para arrebentar.
Exibição militar
Arthur Lira chamou de “trágica coincidência” o anúncio de uma exibição de veículos militares blindados na Esplanada dos Ministérios, em Brasília, nesta terça-feira (10) – mesmo dia em que o plenário da Casa deve analisar a proposta de emenda à Constituição (PEC) do voto impresso.
A impressão do voto depositado na urna eletrônica é defendida pelo presidente Jair Bolsonaro, que tem feito ataques sem provas ao sistema eleitoral e já ameaçou agir “fora das quatro linhas” da Constituição.
Em entrevista ao site “O Antagonista” nesta segunda (9), Lira afirmou que pode inclusive adiar a votação da PEC se houver pedido dos líderes partidários.
Parlamentares de oposição reagiram nesta segunda ao anúncio da exibição militar e acionaram a Justiça para pedir a proibição do evento. A oposição defende, no entanto, que a PEC seja votada e rejeitada o quanto antes para botar fim ao inflamado debate sobre o tema.
“Eu encaro isso como uma trágica coincidência. Não é que eu apoie essa demonstração. Bem verdade, eu procurei informações, essa operação Formosa acontece desde 88 aqui em Goiás”, disse Lira.
“Não é uma coisa inventada, mas também nunca houve um desfile para a operação Formosa na Esplanada dos Ministérios que foi parar na frente do Palácio do Planalto. Eu acredito que, com relação à votação, não deveremos ter problema. Se os deputados quiserem e a população achar que é conveniente, podemos, a gente pode adiar a votação”, declarou Lira.
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