Terça-feira, 29 de setembro de 2026
Por Redação O Sul | 18 de julho de 2023
A Rússia assumiu o controle “temporário” das subsidiárias russas da francesa Danone e da dinamarquesa Carlsberg por meio de um decreto do presidente Vladimir Putin dirigido a empresas de países “hostis”. De acordo com o texto publicado no último domingo e assinado por Putin, o Estado assumiu “provisoriamente” a custódia de 98,5% das ações da cervejaria russa Baltika, que pertence à Carlsberg, e de dezenas de milhares de ações das subsidiárias russas da Danone.
Em abril, Putin assinou um decreto permitindo o controle estatal “temporário” sobre os ativos de empresas ou indivíduos de estados “hostis” – que incluem os EUA e seus aliados – em resposta a movimentos semelhantes, ou a ameaça deles, por esses países.
Essa é a segunda vez que o Kremlin usa o decreto para apreender ativos. Anteriormente, a Rússia assumiu o controle das concessionárias de propriedade da finlandesa Fortum Oyj e da alemã Uniper.
A Danone, que fabrica iogurte e comida para bebês, entre outros produtos alimentícios, anunciou em outubro que planejava vender a maior parte de seus negócios na Rússia, mas pretendia manter 25% das ações e responder às “necessidades essenciais da população civil”. Esperava-se que a venda pudesse resultar em uma baixa contábil de até € 1 bilhão (US$ 1,1 bilhão).
No fim de março de 2022, a Carlsberg anunciou que venderia ativos importantes na Rússia, onde tinha 8.400 funcionários e era proprietário da marca Baltika desde 2000. Em junho, o grupo encontrou um comprador, mas não revelou detalhes.
Várias multinacionais saíram da Rússia ou suspenderam suas atividades no país após o início da ofensiva na Ucrânia, em 24 de fevereiro de 2022, e das sanções das potências ocidentais contra Moscou que foram anunciadas desde então.
Acordo sobre grãos
Em outra frente, a Rússia afirmou, na segunda-feira (17), que não vai prolongar o acordo de exportação de grãos ucranianos, horas após um ataque de drones navais contra uma ponte estratégica que liga o território do país à península anexada da Crimeia.
“O acordo do Mar Negro terminou de fato hoje”, disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, à imprensa.
“Assim que a parte relativa à Rússia (do acordo) for cumprida, a Rússia retornará imediatamente ao acordo de grãos”, acrescentou.
O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, declarou que seu país está disposto a manter as exportações de grãos.
“Mesmo sem a Rússia, todo o possível deve ser feito para que possamos usar esse corredor (para exportação) no Mar Negro. Não temos medo”, insistiu.
Moscou reclamava há vários meses do pacto, assinado em julho de 2022 com a mediação da Turquia e da ONU, e que permitiu aliviar os temores de uma crise alimentar mundial.
O acordo, que permitiu a exportação de mais de 32 milhões de toneladas de cereais ucranianos, também inclui a retirada de obstáculos para as exportações de produtos agrícolas e fertilizantes russos.
A decisão russa de não prolongá-lo ocorreu poucas horas depois que drones navais atacaram a ponte que liga a Rússia à península anexada da Crimeia, chave para o abastecimento de soldados russos na Ucrânia. As informações são do jornal O Globo e das agências de notícias Bloomberg e AFP.
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