Sexta-feira, 29 de maio de 2026
Por Redação O Sul | 25 de fevereiro de 2018
Uma perícia feita pela PF (Polícia Federal) revelou o alto nível de detalhamento usado pela Odebrecht para organizar e esconder as informações usadas pela empresa para fazer pagamentos fora da contabilidade oficial, incluindo propinas. A perícia foi ordenada pelo juiz Sérgio Moro, responsável pelos processos da Operação Lava-Jato na Justiça Federal do Paraná, e seu laudo foi entregue pela PF na sexta-feira.
A análise mirou o funcionamento dos sistemas MyWebDay e Drousys, usados pelo Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht – na prática, um departamento voltado para pagamentos ilegais. Ao comentar relatórios financeiros que pertenceriam ao MyWebDay, os responsáveis pelo laudo afirmam que “a sofisticação e nível de detalhamento” dos documentos “revelaram uma gestão profissional e minuciosa dos desembolsos efetuados pelo chamado Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht”.
A perícia mostra que as informações sobre beneficiários de pagamentos e as contas em que o dinheiro ilícito era depositado eram dispostas de forma cifrada nos sistemas. A PF descobriu que esta forma de esconder os dados era feita por meio de técnicas de substituição de caracteres, às vezes com múltiplas possibilidades. Desta forma, o codinome “25VBQA” era uma referência, na verdade, ao beneficiário “Beluga” – este, um codinome por si só.
Já a sequência de caracteres “FUCUNVLVHDSIFHCD” poderia ser convertida para “BENEFICIARY BANK” (“banco beneficiário”, em inglês), entre outras possibilidades. Ao decifrar a linguagem, a PF descobriu referências não só a codinomes ao menos inteligíveis, como contas e bancos no exterior para onde teriam sido remetidos pagamentos ilegais. No entanto, os peritos dizem que “grande parte dos dados permanece inacessível”, já que exigem credenciais de acesso que a Odebrecht alega não ter. O laudo também aponta “evidências de destruição de dados” poucos dias depois da prisão de Marcelo Odebrecht, ex-presidente do grupo que leva o nome da família.
Processos contra Lula
A perícia foi feita por ordem do juiz Moro no processo da Operação Lava-Jato sobre um terreno supostamente comprado pela Odebrecht para o Instituto Lula. A intenção era verificar se havia registros, no “departamento de propinas” da empreiteira, de pagamentos relacionados ao imóvel – que nunca foi usado pelo instituto.
Segundo a PF, o codinome “Beluga” concentrava as informações dos pagamentos que teriam relação com o terreno. No entanto, com o material disponível, os peritos não conseguiram descobrir a origem dos recursos. O MPF (Ministério Público Federal) acusa Lula de ter recebido o terreno como propina da Odebrecht. No total, a vantagem indevida, que também incluiria um apartamento em São Bernardo do Campo (SP), seria de 12,4 milhões de reais. Em troca, o ex-presidente teria atuado para beneficiar a empresa em contratos com a Petrobras. Sua defesa nega as acusações.
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