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Política Saiba como Roberta Luchsinger chegou ao ex-chefe de gabinete de Lula

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Roberta Luchsinger foi apresentada a ex-chefe de gabinete presidencial por Fábio Luís, filho do presidente. (Foto: Reprodução/Instagram)

Foi durante os 580 dias em que Luiz Inácio Lula da Silva ficou preso em Curitiba que Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, aproximou-se de Fábio Luís da Silva, filho do presidente, 11 anos mais velho que o braço direito do pai, e de sua mulher, Renata, elo mais próximo da família com a lobista Roberta Luchsinger. Foi por meio do casal que Marcola, como é chamado, conheceu a lobista.

Desta apresentação, nasceu a relação que, trazida à tona nesta terça por meio do portal Poder360, reabre uma frente de desgaste que a campanha esperava ter sob controle com as declarações de Lula de que o filho deveria prestar contas de seus erros. Se há uma forma de “filho descontrolado” em que se tenta colocar Fábio, ainda não há uma que dê conta de Marcola. Não é o pai que está em jogo, mas o presidente da República.

Nada mais contrastante com o mestre em ciência política pela Ufscar, nascido em Caraguatatuba, litoral paulista, do que o apelido Marcola, recorrentemente associado a Marco Willians Herbas Camacho, chefe do PCC. O discreto e tímido Marcola aproximou-se do então ex-presidente no Instituto Lula, há 10 anos, depois de ter trabalhado em gabinetes na Assembleia Legislativa de São Paulo e na Câmara dos Deputados. Participou das caravanas lulistas pelo país, em 2017 e 2018, até a prisão de Lula, quando se mudou para Curitiba (PR) e tornou-se a principal ponte do atual presidente com a família, amigos e políticos.

A mesma discrição com que maneja os contatos de um presidente da República que não usa celular e o distingue do chefe do PCC não foi capaz de manter a guarda contra a envolvente lobista. No relato que fez a integrantes da campanha lulista, ela lhe ofereceu ajuda, sempre recusada, até que cedeu, aceitando que Roberta pagasse contas que lhe apresentava. Nunca recebeu dinheiro dela, mas lhe passava, por WhatsApp, os pagamentos que precisava que fossem feitos. Antes que divulgasse a soma de R$ 249 mil, na noite de terça-feira (4), a campanha do PT já tinha ciência deste valor.

Reação

Quando o sigilo do celular de Roberta foi quebrado, Marcola foi informado que suas mensagens estavam lá. Abateu-se e, de tão envergonhado, custou a contar para o presidente. Ao fazê-lo, Lula chamou dirigentes de sua campanha e pediu que o levassem: “Marcola não pode mais ficar aqui.” Só então, o ex-chefe de gabinete devolveu os valores recebidos a Roberta. Exonerado, foi substituído por Oswaldo Malatesta, seu adjunto.

De acordo com o mesmo relato, a única contrapartida a esses depósitos foi a ponte para o ex-secretário-executivo do Ministério da Saúde, hoje chefe do Gabinete Adjunto de Gestão Interna do gabinete de Lula, Swedenberger Barbosa. Um dirigente da campanha que esteve recentemente com Berger, como é chamado, e diz ter ouvido dele que, a despeito das gestões de Roberta, nenhum contrato foi firmado na Saúde com Antonio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”.

Na nota em que reconhece o que chamou de “empréstimo já quitado”, Marcola diz que não cometeu ilegalidade dele decorrente. O contato entre Roberta e o Ministério do Desenvolvimento Social, cujo titular é o ministro Wellington Dias, é que teria resultado em licitação vencida por cliente de Roberta, mas não teria sido mediado por Marcola.

A campanha não esperava que a notícia viesse à tona neste momento. A possibilidade de Marcola vir a ser afastado da campanha não está descartada. A insegurança em relação à condução dos inquéritos que investigam o filho do presidente e estão em mãos do ministro André Mendonça, é gigantesca, mas a titularidade do terceiro inquérito pelo ministro Flávio Dino equilibra, em parte, as apreensões. O advogado de Fábio, Marco Aurélio de Carvalho, a verbalizou: “Recebemos com absoluta tranquilidade a instauração de mais um inquérito, temos confiança plena na condução serena e equilibrada do ministro Flávio Dino.”

A defesa de Fábio peticionou a corregedoria-geral da Polícia Federal contra o vazamento de dados sigilosos e pediu providências ante a notícia de que a campanha do candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro, pretende divulgar áudios entre o filho do presidente e Roberta. O celular de Roberta, o mesmo que registrou as trocas de mensagens com Marcola, teve seu sigilo quebrado por decisão de André Mendonça.

O mesmo ministro, porém, foi quem autorizou a operação de busca em endereços de familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e do advogado Willer Tomaz. O primeiro é da cozinha do presidente da Casa, Davi Alcolumbre (União-AP), e tem a confiança do Palácio do Planalto, que fez dele o vice-líder do governo e relator da indicação do ministro Jorge Messias ao Senado. O segundo, porém, tem relações muito mais estreitas com o principal adversário de Lula nesta campanha, Flávio Bolsonaro. Seu celular também teve o sigilo quebrado. (Com informações do Valor Econômico)

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