Segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Por Redação O Sul | 5 de setembro de 2016
Aceitar ou não aceitar: eis a questão. A dúvida virou polêmica no WhatsApp, que tem mais de um bilhão de usuários no planeta. A medida, emitida aos clientes, refere-se a mudanças que vêm sendo implementadas pela primeira vez na política de termos de serviços e privacidade do aplicativo.
Segundo especialistas, a nova medida significa que o zap, como é popularmente chamado, pede permissão para compartilhar telefones de usuários com a empresa-mãe, o Facebook. A possibilidade foi apresentada recentemente. E está preocupando quem é fã do aplicativo por confiar que os dados são criptografados.
O assunto tomou proporção tão grande, que a intenção do Facebook de afrouxar na privacidade da troca de mensagens mais popular do mundo vai ser “minuciosamente avaliada”, informou a presidência do principal grupo europeu de reguladores de privacidade, o CNIL. “Cada autoridade europeia acompanhará as mudanças na política de privacidade do WhatsApp com muita vigilância”, assegurou.
Medo da revelação dos dados pessoais.
O medo de dados pessoais serem compartilhados tomou conta do “mundo zap”. “Acho melhor o usuário aceitar logo. Por enquanto, pode-se recusar. Mas é inevitável que, daqui a pouco, o WhatsApp torne obrigatória essa funcionalidade”, diz o especialista de tecnologia Nelson Vasconcelos.
Embora as empresas garantam que as novas diretrizes ajudarão os usuários a encontrarem amigos em comum nas duas plataformas e o WhatsApp afirme que não irá compartilhar o contato telefônico com anunciantes, possivelmente, no entendimento de quem lida com o assunto diariamente, a intenção é outra. “Os dados deverão ser direcionados para anúncios publicitários, de forma a incomodar os usuários posteriormente”, prevê o site computerworld.com.br.
A empresa esclarece que a aceitação dos novos termos não significa que telefones, atualizações de status, entre outras ações, estarão públicos no Facebook.
Nem há risco de mensagens aparecerem na linha do tempo da rede social. A justificativa é que a remodelação do sistema propiciará a ampliação de novas amizades e evitará “spam”, mensagens indesejadas comuns em e-mails, SMS e Facebook.
A hora de o Facebook faturar.
Para Vasconcelos, porém, trata-se de desculpa esfarrapada. “Como diz o ditado: não existe almoço grátis. O que interessa para as empresas é dinheiro”, opina. Ele lembra que o Facebook pagou 21,8 bilhões de dólares pelo WhatsApp em 2014. “Agora é hora de faturar com o investimento”, completa.
Vasconcelos acrescenta que um dos problemas futuros é quando o usuário começar a receber sugestões de compras, além de alguns contatos considerados relevantes, mas apenas na ótica do Facebook, não na do cidadão. (AD)
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